🔸 A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) ganha mais um capítulo. O ministro Alexandre de Moraes acusa André Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade, informa o Metrópoles. Em documento enviado ao presidente da Corte, Edson Fachin, Moraes pede providências. Segundo o magistrado, o colega teria perdido a imparcialidade na condução de investigações relacionadas a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, e favorecido determinados grupos políticos. Moraes afirma que Mendonça direcionou alvos de investigação, entre eles o próprio ministro e o senador Davi Alcolumbre (União-AP), e teria participado de forma irregular de tratativas sobre uma possível colaboração premiada de Vorcaro. Também cita “indícios crescentes de enviesamento” na supervisão judicial e acusa Mendonça de usurpar a direção das investigações policiais.
🔸 A propósito: a decisão de Mendonça de mandar a Polícia Federal identificar quem recebeu mensagens de Vorcaro pode ter ultrapassado os limites de sua atuação. Advogados ouvidos pelo Jota avaliam que, diante da possibilidade de envolvimento de um integrante do Supremo, a investigação deveria ter sido remetida ao plenário da Corte. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também defendeu a nulidade dos atos, sob o argumento de que Mendonça determinou diligências sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da PF. O criminalista Thiago Anastácio destaca que a atribuição para investigar e julgar ministros do Supremo é do plenário da Corte. Philipe Benoni, especialista em Direito Penal e Processo Penal, afirma que, “se o processo é do plenário, a supervisão da investigação também é”. Já o advogado Fauzi Hassan Choke ressalta que Mendonça praticou atos investigatórios de ofício: “Quando o relator requisita documentos, requisita atualização de informações, ele está praticando atos investigatórios. E isto ele não pode fazer”.
🔸 O Partido Liberal, do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, mantém uma plataforma, a Direita Já, com mais de 600 conteúdos prontos para serem replicados nas redes sociais por políticos e apoiadores. São cards, vídeos e tuítes já editados que podem ser baixados. A Agência Lupa analisou centenas dessas peças e identificou ao menos 15 conteúdos falsos ou descontextualizados. Entre elas estão publicações sobre o Pix, gastos do governo Lula e conteúdos que associam o presidente ao crime organizado. Cinco das sete peças sobre o Pix analisadas pela reportagem continham informações falsas, como a alegação de que o sistema foi criado no governo Jair Bolsonaro. O Pix começou a ser desenvolvido em 2018, ainda no governo Michel Temer, e foi lançado em 2020. A estratégia do partido, segundo especialistas em direito eleitoral, representa uma burla às regras da Justiça Eleitoral para o pleito.
🔸 Falando em PL… Treze candidatos do partido acumulam cerca de R$ 6 milhões em multas ambientais do Ibama emitidas entre janeiro de 2023 e agosto de 2026. O valor corresponde a quase 40% dos R$ 15,5 milhões em autuações aplicadas a 49 candidatos de 15 partidos no período. Levantamento da Agência Tatu, em parceria com o Intercept Brasil, cruzou dados abertos do Ibama e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Depois do PL, aparecem Podemos, com R$ 2,6 milhões; Republicanos, com R$ 1,7 milhão; MDB, com R$ 1,5 milhão; e PSDB, com cerca de R$ 1 milhão. O candidato a deputado estadual Ulisses Gonçalves (PL-MA) lidera a lista, com uma multa de R$ 3,2 milhões pela destruição de 652,7 hectares de vegetação nativa protegida em duas fazendas de Buriticupu, no Maranhão.
📮 Outras histórias
O sururu está cada vez mais escasso nos rios de Recife, o que aumenta o tempo de trabalho e reduz a renda de pescadores e marisqueiras. Na Ilha de Deus, onde Cíntia Alves criou dois filhos com o dinheiro da pesca, o molusco desapareceu há anos. Na Comunidade do Bode, Juliana Maria dos Santos precisa caminhar e mergulhar por horas para encontrar pequenas quantidades. “Eu fui para a maré ontem e peguei dois quilos de sururu. Isso é muito pouco”, afirma. A Marco Zero explica que a escassez resulta de uma combinação de fatores, como falta de saneamento, descarte de lixo, assoreamento, mudanças no regime de chuvas, aquecimento da água, retirada de mariscos pequenos e possível presença de uma espécie invasora. “Na bacia do Pina existe pelo menos uma dúzia de causas para a quantidade de sururu variar, e elas atuam simultaneamente”, explica Mônica Costa, oceanógrafa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
📌 Investigação
O número de projetos de lei sobre direitos sexuais e reprodutivos e da população LGBTQIAPN+ duplicou no Congresso Nacional nos últimos quatro anos. Metade deles propõem medidas que promovem retrocessos. É o que revela levantamento da plataforma Elas no Congresso, da revista AzMina. Entre janeiro de 2023 e abril de 2026, foram apresentadas 2.036 propostas relacionadas a gênero, alta de 83% em comparação com a legislatura anterior. Nos recortes de direitos sexuais e reprodutivos e LGBTQIAPN+, os crescimentos foram de 125% e 86,9%, respectivamente. A proporção de projetos desfavoráveis à população LGBTQIAPN+ passou de 50% para 61%. Já na área dos direitos sexuais e reprodutivos, caiu de 45,9% para 37%, mas permaneceu quase duas vezes maior que a das demais categorias. As propostas concentram-se em restringir o aborto legal, o uso do nome social, o acesso de pessoas trans a banheiros, competições esportivas e tratamentos de saúde, além de impedir discussões sobre gênero e sexualidade nas escolas.
🍂 Meio ambiente
O programa Pecuária Sustentável do Pará perdeu ritmo depois de o governo estadual adiar em cinco anos a identificação individual obrigatória do rebanho. Criada em 2023 para desvincular a cadeia da carne de crimes como desmatamento ilegal e trabalho escravo, a política previa que todo gado movimentado no estado fosse identificado até dezembro de 2025 e os demais animais, até dezembro de 2026. As metas foram transferidas para 2030 e 2031. O Eco destaca que o Pará tem quase 26 milhões de bovinos, mas apenas 423 mil estavam identificados no início de setembro. A adesão havia acelerado às vésperas da COP30, realizada em Belém: o número de animais rastreados passou de menos de 50 mil em julho de 2025 para 300 mil em novembro. Menos de duas semanas depois da conferência, somente mais 20 mil receberam os dispositivos. “Ficou muito claro que o programa era só um circo armado para a COP. Depois que a COP passou, acabou”, afirma Mauro Lucio Costa, presidente da Associação de Criadores do Pará (Acripará).
📙 Cultura
“Alagoas é muito maior do que aquilo que normalmente aparece. Temos manifestações culturais em todos os cantos do estado, mestres, brincantes e grupos que muitas vezes passam a vida inteira mantendo uma tradição e ainda são pouco conhecidos”, afirma Tatiane Almeida, em entrevista à Revista Alagoana. Jornalista, fotógrafa e pesquisadora, ela percorre municípios do estado para documentar manifestações culturais, seus contextos e as pessoas que as mantêm vivas. Depois de apresentar, em 2025, a exposição “Pega de Boi no Mato”, ela reuniu registros de diferentes tradições no livro “Folguedos da Nossa Terra – Retratos da Cultura Popular Alagoana”. Tatiane conta que vê as imagens como uma forma de preservar a memória e aproximar novas gerações da cultura popular. “A cultura não pode ser apresentada como algo antigo ou distante. Ela está viva e continua se transformando.”
🎧 Podcast
A expansão do império de Wesley e Joesley Batista para além da carne passa pelo mercado financeiro, pela energia e por negócios que seguem cercados de controvérsias. No último episódio de “O Berro do Boi”, produção da Trovão Mídia e da revista piauí, a jornalista Consuelo Dieguez conta como os irmãos voltaram ao centro do poder econômico, desta vez com investimentos que vão do PicPay à Âmbar Energia. A repórter narra a abertura de capital do PicPay na Nasdaq, em janeiro deste ano, quando o banco digital levantou quase meio bilhão de dólares, e detalha as investigações sobre operações de crédito consignado, a relação da família Batista com a Reag Investimentos e a expansão no setor elétrico.
💆🏽♀️ Para ler no fim de semana
Mulheres de favelas da zona norte do Rio de Janeiro lideram projetos de agroecologia, soberania alimentar e recuperação ambiental na Serra da Misericórdia, principal remanescente de Mata Atlântica da região da Leopoldina. As iniciativas são desenvolvidas pelo Centro de Integração na Serra da Misericórdia (CEM), que atua desde 2011 no território. O #Colabora mostra quem são as mulheres que fazem esse trabalho. Ana Santos, gestora do CEM, explica que a atuação também é uma disputa sobre quem produz conhecimento dentro da favela. “A gente precisa falar da força do poder popular, mas principalmente das mulheres pretas, indígenas, quilombolas, ribeirinhas e faveladas”, diz. “São mulheres que historicamente foram colocadas na parte de baixo da pirâmide, mas que conseguem movimentar essa estrutura de outro jeito.”



