A CPI do Banco Master em debate e a IA que cria nudes falsos em segundos
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🔸 Um raio atingiu ontem a estrutura montada para o ato do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), em Brasília, e provocou uma explosão em meio à tempestade que atingia a capital federal. Ao menos seis manifestantes ficaram em estado grave, foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros e levados a hospitais. Após o incidente, equipes de segurança orientaram o público a se afastar de grades metálicas e outros objetos que poderiam atrair novas descargas elétricas. O Congresso em Foco lembra que a mobilização do deputado Nikolas Ferreira teve início na segunda-feira (19) em Paracatu (MG). Ele percorreu 240 km de caminhada até Brasília, sob forte chuva no final, e divulgou o ato como “uma etapa pela liberdade e pelo tratamento digno aos presos do dia 8 de janeiro”.
🔸 Parlamentares de direita e esquerda começaram a protocolar pedidos de uma CPI do Banco Master, mesmo durante o recesso. Líderes do Centrão, porém, resistem à ideia. O Metrópoles ouviu de um deles que a investigação “até deveria acontecer”, mas enfrenta resistência porque “há forças internas trabalhando contra” e “muita gente amiga” envolvida no escândalo. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve consultar os líderes partidários na próxima semana para medir se há maioria para abrir a comissão, embora aliados reconheçam que “não será fácil”. Ainda assim, parlamentares avaliam que, diante da gravidade do caso, “pegaria muito mal” para o Congresso não avançar em alguma forma de investigação.
🔸 Novos questionamentos envolvendo o ministro Dias Toffoli na condução do caso do Banco Master ampliaram o desgaste interno no Supremo Tribunal Federal (STF) – sobretudo depois que o Metrópoles revelou que o Judiciário pagou seguranças para o ministro em 168 dias desde dezembro de 2022 em Ribeirão Claro (PR), cidade onde fica o resort de luxo ligado a ele e ao Master, o Tayayá. O Nexo reúne os fatos mais recentes envolvendo Toffoli e os desdobramentos para o magistrado. Relator do caso no Supremo desde novembro de 2025, o ministro passou a ser alvo de críticas depois de viajar em um jatinho de um empresário acompanhado por advogado ligado ao Master. Em seguida, Toffoli decretou sigilo absoluto sobre os inquéritos e suspendeu investigações em instâncias inferiores. Agora, a crise reacendeu no STF o debate sobre a criação de um código de conduta específico para ministros.
🔸 Ontem o desastre da Vale em Brumadinho (MG) completou sete anos. Quando a Barragem I da Mina de Córrego do Feijão rompeu, Helena Taliberti perdeu toda a família: os dois filhos, Luiz e Camila Taliberti, o pai deles, a nora, grávida do seu primeiro neto, e a esposa do ex-marido, que estavam passando o feriado do aniversário de São Paulo em uma pousada perto da barragem. Ao todo, 272 pessoas foram mortas soterradas pela lama tóxica despejada naquele dia. Agora Helena é presidente do Instituto Camila e Luiz Taliberti e, em entrevista à Agência Pública, critica duramente a atuação da mineradora Vale e das instituições do Estado, aponta a contaminação persistente do território e alerta que o enfraquecimento do licenciamento ambiental torna episódios como os de Mariana e Brumadinho ainda mais prováveis. “Sete anos se passaram e a gente sente que não foi feito nada. A justiça não foi feita, o [andamento do] processo foi muito vagaroso.”
🔸 A Petrobras ainda investiga as causas do vazamento de fluido de perfuração na Foz do Amazonas. No dia 4 de janeiro, foram despejados 18.440 litros de fluido sintético a cerca de 2.700 metros de profundidade no bloco FZA–M-59, depois de uma falha identificada por um robô subaquático. Segundo a Eixos, a estatal descartou quaisquer problemas com a sonda ou com o poço, e afirma que ambos “permanecem em total condição de segurança”. Em informações enviadas ao Ibama, a Petrobras afirma ainda que o vazamento aconteceu durante testes operacionais e as operações foram interrompidas imediatamente. O fluido de perfuração, ainda segundo a empresa, é biodegradável, e não causa impacto ao meio ambiente.
📮 Outras histórias
Em Pedreiras (MA), uma obra foi inaugurada com a presença do governador – e parou em seguida. Era novembro de 2025, e Carlos Brandão (PSB) participou da cerimônia oficial de entrega de um poço artesiano na rua São Pedro, com a promessa de sanar a falta de água do bairro Engenho. Para convencer os moradores da obra, que causaria caos na região, o governo atrelou-a a diversas benfeitorias na rua. O Pedreirense ouviu moradores e conta que, logo após o ato solene, os trabalhos de pavimentação e melhoria na infraestrutura local foram paralisados. “Quando o poço ficou pronto, marcaram a inauguração sem nenhuma benfeitoria na rua. Percebemos que tinha algo errado. Haviam colocado os bloquetes, então imaginamos que iam dar continuidade na obra. Mais uma vez fomos enganados”, diz um morador. A rua segue tomada por lama, vazamentos frequentes e encanamentos frágeis. E ainda parte da população deixou de consumir a água do poço, descrita como salobra e viscosa.
📌 Investigação
Em apenas um dia o Grok, ferramenta de IA do X (antigo Twitter), gerou cerca de 6.700 posts por hora com imagens sexualizadas – 85 vezes mais do que o registrado no mesmo período em outras cinco plataformas de IA generativa, que somadas produziram 79 publicações por hora, segundo a consultora Genevieve Oh. O Núcleo testou o Grok para entender como a ferramenta cria nudes falsos em segundos. “No Twitter existem muitos perfis dedicados a isso. O perfil que usavam para compartilhar minhas fotos se chamava ‘C_Tribute’”, conta Clarice (nome fictício), vítima da IA, referindo-se à inicial de seu nome verdadeiro seguida da palavra tribute. “Era específico para mim.” A reportagem ressalta que as vítimas de deepfake relatam anos de assédio e perseguição online. Ao mesmo tempo que as plataformas não moderam tais conteúdos, o direito não evolui na mesma velocidade das tecnologias que amplificam a violência de gênero. Como resultado, os agressores seguem na impunidade.
🍂 Meio ambiente
Mais de 80 mil filhotes de tartarugas-da-amazônia nasceram na última temporada de desova na Reserva Biológica do Rio Trombetas, em Oriximiná (PA). O número recorde foi celebrado por agentes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) – antes, na desova de 2024, registrou-se uma redução de 75% dos nascimentos da espécie no Vale do Guaporé, em Rondônia, principal berçário de quelônios do Brasil, devido à seca e às queimadas na região. O Conexão Planeta lembra que a tartaruga-da-amazônia é ameaçada pela coleta de ovos, caça e pesca ilegais. A espécie é um alvo fácil para a captura, porque costuma desovar em praias, onde fica vulnerável. Estima-se que, entre 1700 e 1903, cerca de 214 milhões de ovos foram coletados e enviados à Europa para atender à demanda por óleo e energia.
📙 Cultura
Com os pagamentos do Carnaval do ano passado ainda em aberto, agremiações, clubes e blocos de frevo de Olinda temem mais um ano de atrasos nos repasses dos cachês. Na semana passada, a prefeita Mirella Almeida (PSD) vetou integralmente a emenda à Lei Municipal do Carnaval que estabelecia prazo máximo de até 45 dias após a folia para quitação do pagamento de todos os fazedores de cultura. Segundo a Marco Zero, Associação das Agremiações de Frevo de Olinda pressiona a prefeita por “uma explicação plausível para tal decisão, bem como uma alternativa concreta que assegure às agremiações melhores condições de previsibilidade e respeito”. A emenda foi proposta pela vereadora Eugênia Lima (PT) e aprovada por unanimidade pela Câmara de Vereadores em dezembro, quando mais da metade das atrações que participaram do Carnaval de 2025 ainda não haviam recebido seus cachês. A parlamentar afirmou que está se articulando para derrubar o veto da prefeitura.
🎧 Podcast
“Você pode se surpreender quando sai para a rua e passa a enxergar coisas que antes não via”, afirma o poeta e cronista Fabrício Corsaletti. Para o autor, andar distraído é fundamental para o cronista. No “451MHz”, produção da Quatro Cinco Um, Corsaletti e o também cronista, roteirista e produtor audiovisual Ricardo Terto conversam sobre a relação da crônica com a rua e o cotidiano. Para Terto, esse gênero tem a capacidade de “se intrometer na vida das pessoas”, mesmo que seja considerado “menor” para a crítica literária. “Eu lembro que a primeira vez que eu comentei com uma pessoa que eu era cronista, uma pessoa da literatura, a pessoa falou assim: ‘ah, é um bom começo’”, conta. “Acho que a crônica é um bom começo, um meio incrível e um final sensacional.”
👩🏾⚕️ Saúde
A regulação do cultivo de cânhamo no Brasil a partir de um limite fixo de 0,3% de THC é questionada por pesquisadores que acumulam anos de pesquisa acumulada em áreas como agronomia, genética vegetal, química analítica, farmacologia, toxicologia, medicina e ciências sociais. Em nota enviada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), eles afirmaram que o limite fixo não tem base científica e pode prejudicar as pesquisas. Em artigo no Outras Palavras, a pesquisadora Luna Vargas explica os efeitos negativos dessa limitação. “Restringe-se a pesquisa ampla com a planta em território nacional, enquanto se tolera a circulação de derivados semissintéticos pouco estudados e sem fiscalização de produção ou origem”, destaca. “Regular a cannabis com base em preconceito travestido de critério técnico é perpetuar a ignorância; regulá-la com base em evidência científica é fortalecer a saúde pública, a soberania científica e a promoção de um mercado seguro e de qualidade.”




