A Copa sob restrições migratórias e a emergência climática no Amazonas
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🔸A Copa do Mundo de 2026 começa hoje sob críticas à política migratória dos EUA, sede do torneio ao lado de México e Canadá. Em entrevista à Agência Pública, a advogada especializada em direito migratório Marta Mitico Valente afirma que as restrições de entrada impostas pelo governo de Donald Trump não violam o direito internacional, já que prevalece a soberania dos países para definir suas regras migratórias. Ela considera, porém, que a FIFA falhou ao não negociar mecanismos especiais para garantir a entrada de atletas, árbitros e integrantes das delegações. O desconforto diplomático já começou, com casos como a exclusão do árbitro somali Omar Artan após ter o visto negado, além de dificuldades enfrentadas por integrantes das delegações do Irã, Uzbequistão e Senegal. “A FIFA deveria realmente se insurgir, as nações deveriam realmente se insurgir e não aceitar esse tipo de medida”, afirma.
🔸 A propósito: disputado por 48 seleções pela primeira vez, o torneio terá 104 partidas, das quais 78 acontecem nos EUA. Assim como a maior parte das Copas, a edição de 2026 é envolta por temas políticos, como a política migratória de Trump. O Nexo elenca sete pontos para ficar de olho durante a competição. Dentro de campo, a Copa terá novas regras para reduzir a perda de tempo, mudanças na atuação do VAR e a maior duração da história do torneio, com 39 dias de competição. Fora dele, a edição também chama atenção pelos altos preços dos ingressos, pelo crescimento esperado das apostas esportivas e pelos desafios climáticos, com previsão de calor intenso e possíveis interrupções por tempestades.
🔸 A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou ontem a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Por 44 favoráveis a 18 contrários, a PEC 32/2015 seguirá agora para uma comissão especial e, depois, para votação em dois turnos no plenário da Câmara. O Congresso em Foco conta que a PEC dividiu os parlamentares. Críticos do texto, como a deputada Erika Kokay (PT-DF), argumentam que a redução da maioridade penal fere garantias constitucionais de crianças e adolescentes. Já defensores da PEC, como Nikolas Ferreira (PL-MG), afirmam que jovens de 16 e 17 anos que cometem crimes graves devem responder criminalmente como adultos. Hoje, menores de 18 anos estão sujeitos às medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
🔸 A proposta não deve avançar rapidamente nas próximas semanas. Com a Copa do Mundo, as festividades de São João e a proximidade do período eleitoral, a criação imediata da comissão fica comprometida. Segundo o Metrópoles, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reconhece a aliados que a redução da maioridade penal hoje encontra mais apoio entre os deputados do que em 2015, quando uma proposta semelhante foi aprovada pela Câmara durante a gestão de Eduardo Cunha, mas acabou arquivada no Senado. Neste ano, parte da oposição passou a defender a pauta como bandeira para as eleições de outubro.
🔸 A nova pesquisa Genial/Quaest mostra o presidente Lula (PT) com mais fôlego na disputa presidencial. O petista manteve 39% das intenções de voto no primeiro turno, e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recuou quatro pontos em relação a maio e tem agora 29%. No cenário de segundo turno, Lula ampliou sua vantagem sobre o senador: aparece com 44% das intenções de voto, contra 38% do filho de Jair Bolsonaro (PL). “Flávio pode não ter derretido nas pesquisas, mas está sangrando após a revelação de suas ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master”, avalia Beto Bombig, no Jota. Segundo ele, Donald Trump acabou ajudando Lula, que pode reforçar o discurso de defesa da soberania nacional na disputa comercial entre Brasil e EUA. Em paralelo, o governo avançou em pautas como o fim da escala 6x1, reorganizou sua comunicação e consolidou alianças regionais.
📮 Outras histórias
Moradores e comerciantes do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, enfrentam transtornos causados pela obra do piscinão da Avenida Ellis Maas. A obra começou em 2022, com o objetivo de ajudar no escoamento das águas da chuva na região. Deveria terminar em três anos, mas, ainda hoje, está na etapa de escavação. O Desenrola e Não Me Enrola conta que, segundo moradores, explosões usadas na obra têm provocado estilhaços, excesso de poeira e rachaduras em imóveis vizinhos. A subprefeitura alega que o cronograma foi alterado devido à complexidade da remoção de rochas encontradas no local. Os moradores ainda relatam que as enchentes pioraram após o início das intervenções. Em janeiro de 2026, a água invadiu pela primeira vez o condomínio Parque das Árvores, vizinho da construção, e causou prejuízos estimados em R$ 30 mil.
📌 Investigação
Comunidades da Terra Indígena Sararé vivem entre escavadeiras de garimpo e fuzis de organizações criminosas. Localizado próximo à fronteira entre o Mato Grosso e a Bolívia, o território está sob domínio do Comando Vermelho. Apesar dos esforços dos indígenas para manter a floresta em pé, o maquinário e a violência do crime organizado para controlar garimpos ilegais de ouro devoram grandes trechos de vegetação em poucas horas, revela a InfoAmazonia. “Quatro anos atrás começou um movimento de armamentos pesados. Você andava no meio do mato e escutava o motor trabalhando, você via os garimpeiros armados. Nem é garimpeiro, é um povo do Comando. Aqui o Comando Vermelho tomou conta”, relata um cacique indígena que preferiu não se identificar por segurança.
🍂 Meio ambiente
O governo do Amazonas decretou estado de emergência climática e ambiental em todo o estado devido às previsões de agravamento da seca associada ao fenômeno El Niño. A Carta Amazônia explica que a medida tem caráter preventivo e busca preparar o poder público para enfrentar possíveis impactos até o primeiro semestre de 2027, como redução das chuvas, queda no nível dos rios, aumento das temperaturas e maior risco de incêndios florestais. Episódios anteriores de El Niño provocaram secas severas na Amazônia, incluindo a de 2023-2024, uma das mais intensas já registradas, marcada por queimadas, recordes de temperatura e rios em níveis historicamente baixos.
📙 Cultura
O cineasta, escritor, roteirista e gestor cultural Orlando Senna foi um dos grandes nomes do cinema nacional, sobretudo no núcleo baiano do Cinema Novo, movimento que buscou fortalecer a identidade brasileira no audiovisual a partir dos anos 1960. Senna foi codiretor e roteirista do clássico “Iracema, Uma Transa Amazônica”, de 1975, que faz uma crítica à ocupação da Amazônia durante a ditadura militar. O longa foi censurado por seis anos e venceu a categoria de Melhor Filme no Festival de Brasília. A Revista O Grito! revisita a trajetória do cineasta, que também foi secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura do primeiro governo Lula (2003-2006). No cargo, liderou iniciativas voltadas à democratização do acesso aos recursos públicos para o setor. Orlando Senna morreu na terça-feira, aos 86 anos, em decorrência de uma inflamação pulmonar desenvolvida após um quadro de broncopneumonia.
🎧 Podcast
“Memória é luta. Memória não é aquilo que está na nossa cabeça”, diz a pesquisadora Rosane Borges. A definição acompanha a missão das Mães de Maio, movimento de mães e familiares das vítimas da violência de Estado em resposta aos Crimes de Maio de 2006. Consolidado nacionalmente, o movimento apoia pessoas do país todo que perdem seus entes queridos pela violência policial e disputa diariamente a memória dos mortos. O último episódio da série “Crimes de Maio: O Massacre Que O Brasil Ignora”, produção da Ponte em parceria com o Brasil de Fato, reconstrói a luta dessas mães e mostra como as mulheres negras periféricas vivem nas “bordas do mundo”, uma posição social que as coloca como as principais guardiãs da memória.
🙋🏾♀️ Raça e gênero
“Os casos em que inexiste vínculo prévio entre vítima e agressor continuam, em regra, submetidos às varas criminais comuns e às promotorias de competência genérica. Nesses contextos, as vítimas não são alcançadas pelo sistema protetivo concebido pela Lei Maria da Penha”, afirma Mariana Ferrer. Vítima de violência sexual em Florianópolis em 2018, seu caso ganhou repercurssão nacional depois de ela ter sido hostilizada pelo advogado de defesa em uma audiência, em 2021. Atualmente, ela é presidente do Fórum Internacional de Direito das Vítimas e defende medidas protetivas para vítimas sem vínculo com o agressor. Em entrevista ao Catarinas, ela fala sobre acolhimento e proteção das mulheres e sobre um recurso que será julgado hoje no Supremo Tribunal Federal. A ação questiona a validade da audiência em que Mariana foi ouvida como vítima de violência sexual. Os ministros vão analisar se as violações a seus direitos fundamentais durante o processo podem invalidar atos posteriores, incluindo a decisão que absolveu o réu.




