A condenação de Eduardo Bolsonaro e a recuperação de rios amazônicos
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🔸O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no julgamento da trama golpista. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) também decidiu ontem que o filho de Jair Bolsonaro (PL) está inelegível e perde o cargo público de escrivão da Polícia Federal. O Congresso em Foco informa que os ministros da Corte entenderam que ele atuou nos EUA para pressionar o Supremo e influenciar o julgamento que levou à condenação de Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado. A ação teve origem em denúncia da Procuradoria-Geral da República, que acusou Eduardo de articular sanções contra autoridades brasileiras, como a suspensão de vistos de ministros do STF, e medidas econômicas contra o Brasil. Segundo a PGR, essas iniciativas buscavam interromper ou constranger o andamento dos processos contra o ex-presidente. “Não é função do deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o país”, disse Alexandre de Moraes, relator do caso.
🔸 Para lembrar: a família Bolsonaro atua há anos junto à direita dos EUA contra o STF, o eleitoral do Brasil e pró-tarifas. A Agência Pública reconstrói a aproximação entre o clã e os políticos trumpistas desde 2019, quando revelou que Jair Bolsonaro contou com o apoio político de representantes do governo Trump nas eleições que levaram o brasileiro à presidência. Eduardo Bolsonaro, aliás, atuou desde antes da eleição de 2018 para estreitar laços com lideranças conservadoras americanas, movimento que se intensificou ao longo do governo de seu pai. Depois da derrota do líder do PL à Presidência em 2022, a aliança passou a se concentrar em questionamentos ao sistema eleitoral brasileiro e ao STF, com a atuação conjunta de figuras como Steve Bannon e do consultor argentino Fernando Cerimedo na disseminação de narrativas de fraude eleitoral.
🔸 O ex-banqueiro Daniel Vorcaro pagou diárias de um hotel de luxo para Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, quando ele participou do Fórum Jurídico de Lisboa, em junho de 2024. É o que revelam documentos da Polícia Federal. Neles, consta também que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), recebeu cerca de US$ 30 milhões de Vorcaro por meio de uma conta no exterior. Segundo o Jota, Alcolumbre negou ter recebido a quantia, classificou a acusação como uma tentativa de calúnia e afirmou que vai responsabilizar os autores da denúncia. Já Motta minimizou: “Não vejo problema nisso. Era um evento corporativo, encontro jurídico”. As informações vieram à tona após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de documentos da investigação da PF sobre Vorcaro e o Banco Master. Os relatórios apontam que o ex-banqueiro mantinha uma relação próxima também com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), para quem teria custeado viagens e hospedagens no exterior.
🔸 A propósito: o Banco Master pagou R$ 11 milhões ao ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro, Ronaldo Vieira Bento, e empresas ligadas a ele nos últimos dois anos, segundo documentos obtidos pelo Intercept Brasil. Bento comandou o Ministério da Cidadania em 2022, período em que foi regulamentado o empréstimo consignado para beneficiários do Auxílio Brasil. Após deixar o governo, passou a ocupar cargos de direção em empresas ligadas ao conglomerado do Banco Master, entre elas o Banco Pleno e a Mettacard, que atuava com crédito consignado para servidores públicos, aposentados e pensionistas. Segundo a reportagem, R$ 773 mil foram pagos diretamente ao ex-ministro, e o restante foi destinado a empresas das quais era sócio ou administrador. As tentativas de investigar Ronaldo Bento em duas comissões parlamentares (a CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado) não avançaram. E os requerimentos para convocá-lo ou quebrar seus sigilos foram retirados ou nunca votados.
📮 Outras histórias
Aos 93 anos, Manoel Geraldo de Carvalho, o seu Duquinha, é um guardião da floresta: ao longo de três décadas, ele transformou uma antiga área de roçado em Capitão Poço, no Pará, em um exemplo de regeneração florestal. Duquinha ajudou a recuperar 56 hectares de mata nativa, plantou cerca de 30 mil mudas e restaurou nascentes que haviam secado. Hoje, com uma fauna diversa, a área se tornou um laboratório de estudos sobre a recuperação da Amazônia. O Amazônia Vox narra a história do guardião e conta que seu trabalho ganhou dimensão científica com a instalação, neste ano, da primeira torre de monitoramento climático em uma floresta secundária da Amazônia. O projeto envolve 180 pesquisadores de 33 instituições, que investigam como as florestas que se regeneram naturalmente após o desmatamento e ajudam a regular o clima. Há ainda a bióloga Laína Carvalho, neta criada como filha por seu Duquinha e sua companheira, dona Luiza. Inspirada pela floresta onde cresceu, ela hoje pesquisa justamente como essas áreas regeneradas contribuem para a mitigação das mudanças climáticas.
📌 Investigação
Dos mais de 7 mil sítios arqueológicos registrados na Amazônia Legal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), 67% estão em áreas com inscrição do Cadastro Ambiental Rural (CAR), sistema autodeclaratório e obrigatório de registro para todos os imóveis rurais do país. A presença dos patrimônios não aparece nas consultas públicas do cadastro. É o que revela levantamento inédito do projeto Amazônia Revelada, na InfoAmazonia. A falta de cruzamento de dados do Iphan e do CAR evidencia uma lacuna na forma como o Estado apresenta o território em suas bases públicas e mostra como as áreas que contêm vestígios arqueológicos circulam em um sistema com efeitos administrativos e econômicos sem que essa informação esteja disponível ao público. Como consequência, os sítios podem ser ameaçados até mesmo por projetos autorizados pelo próprio Estado devido à falta de integração entre as bases.
🍂 Meio ambiente
A Amazônia recuperou a área de superfície de água em 2025, após dois anos de seca severa, e ficou 2,6% em relação à média histórica entre 1985 e 2025. No entanto, a melhora não foi uniforme: 20 sub-bacias (37% do total) no bioma ainda apresentam superfície de água abaixo da média histórica. O #Colabora detalha os dados disponibilizados pelo MapBiomas, que monitora transformações na cobertura e uso da terra no Brasil. Já nos outros biomas brasileiros, o estudo alerta para a situação do Pantanal, em que a superfície da água ficou 56% abaixo da média histórica. “A dinâmica das águas no Pantanal mudou; a década de 80 foi marcada por grandes inundações, mas desde 2019 a região enfrenta secas prolongadas. Os períodos secos e úmidos são essenciais na manutenção da biodiversidade no bioma”, explica a geógrafa Mariana Dias, analista de geoprocessamento e integrante da equipe do Pantanal do MapBiomas.
📙 Cultura
Além do Festival de Parintins, a Amazônia abriga diversos eventos folclóricos ainda com pouca visibilidade em cidades como Tefé, Maués, Itacoatiara, Manacapuru, Coari e Benjamin Constant. “Em cada uma delas, desenvolveram-se narrativas, danças, personagens, lendas e formas de celebração que expressam histórias locais, memórias coletivas e modos particulares de relação entre sociedade, natureza e território”, afirma o pesquisador Adalberto da Silva Retto. Em artigo no Le Monde Diplomatique Brasil, ele destaca a necessidade de uma agenda cooperativa para ampliar o desenvolvimento regional. “Em vez de disputarem recursos escassos e visibilidade limitada, os festivais passariam a compor uma rede capaz de distribuir fluxos de visitantes ao longo do ano por diferentes sub-regiões. Tal iniciativa estimularia economias locais, ampliaria oportunidades para artistas e produtores e contribuiria para a preservação de patrimônios imateriais frequentemente ameaçados pela escassez de fomento.”
🎧 Podcast
A nova geração de ativistas de direitos humanos mantém viva o legado das mais velhas, com novas estéticas, tecnologias e urgências para o debate público. O “Escute As Mais Velhas”, produção da Rádio Novelo, recebe Laura Molinari, especialista em Direitos Humanos, defensora da legalização do aborto e integrante do coletivo Nem Presa Nem Morta, e Juliana Gonçalves, jornalista e mestre em Estudos Culturais e integrante da Marcha das Mulheres Negras. A partir de um encontro geracional, elas mostram como a militância se transformou, da ocupação de sindicatos e coletivos universitários às performances artísticas e marchas nas ruas. Ao lado de Sueli Carneiro e Neca Setubal, as jovens ativistas traçam um panorama de como o feminismo e o movimento negro voltados à educação moldam as visões de mundo de toda a sociedade.
🙋🏾♀️ Raça e gênero
“Embora existam avanços importantes na formulação de políticas públicas para as mulheres, ainda há uma grande distância entre a existência dessas políticas e sua capacidade de alcançar quem mais precisa delas. Quando esse processo enfraquece, quem primeiro sente os impactos são as mulheres periurbanas, do campo, lésbicas, bissexuais, transexuais, de povos e comunidades tradicionais e de matriz africana”, afirmam Mônica Carvalho e Isis Florescer, pré-candidatas a deputada federal por Alagoas pelo PT como Coletivo Mulheragem. Em entrevista à Eufêmea, elas analisam a presença das mulheres no Congresso. “Discutir igualdade salarial, acesso à saúde, direitos reprodutivos e políticas de cuidado não significa tratar temas isolados, mas enfrentar diferentes dimensões de um mesmo problema estrutural.”




