A classificação do Brasil para o mata-mata da Copa e a vida pós OnlyFans
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🔸O Brasil venceu a Escócia ontem por 3 a 0 e vai ao mata-mata da Copa do Mundo com o primeiro lugar de sua chave. Os dois primeiros gols foram de Vinicius Junior. Matheus Cunha completou o placar em uma partida em que a Seleção dominou as ações do início ao fim. Com o resultado, o Brasil avançou para a próxima fase e agora aguarda a definição do adversário, que sairá entre Holanda, Japão ou Suécia. O Esporte News Mundo destaca a atuação de Vini Jr., que chegou ao quarto gol no torneio e soma oito participações diretas em gols em sete partidas de Copa do Mundo. Principal nome da vitória brasileira, o atacante ainda teve um gol anulado por falta na origem da jogada. A partida também marcou a estreia de Neymar neste Mundial.
🔸 Há um padrão recorrente nos jogos de seleções latino-americanas: em campo, atletas negros, indígenas e árabes; nas arquibancadas, um público majoritariamente branco e de maior poder aquisitivo. A avaliação é do jornalista Pedro Borges, em análise na Alma Preta. Para ele, o alto custo dos ingressos reproduz desigualdades raciais históricas nas Américas e na Europa e transforma o torneio em um espetáculo acessível sobretudo às elites, um privilégio. “E privilégio nas Américas sempre estará relacionado à branquitude, que construiu seu status social sobre negros e indígenas, grupos vítimas de processos de aniquilação, exploração e empobrecimento”, lembra Borges. Ele também relaciona a presença crescente de atletas negros e descendentes de imigrantes em seleções europeias ao avanço simultâneo de políticas anti-imigração. “O mesmo jogo que se tornou popular no mundo por conta da atuação de Pelé, um homem negro retinto, que talvez nem pudesse assistir aos jogos caso se apresentasse na imigração como Edson.”
🔸 O movimento indígena Aldear a Política lançou 47 pré-candidaturas para as eleições de 2026, distribuídas por 16 estados e pelo Distrito Federal. O objetivo é ampliar a presença dos povos originários em espaços de poder. Os nomes devem disputar vagas no Congresso Nacional, assembleias legislativas e governos estaduais. O Notícia Preta conta que o grupo também aposta na ampliação da participação em disputas estaduais e majoritárias. Um dos casos é o de Isael Munduruku, pré-candidato ao governo do Amazonas. A articulação, que reúne representantes de nove partidos, surge em um contexto de baixa representação indígena. Hoje, apenas cinco dos 513 deputados federais são indígenas, e o Senado nunca elegeu diretamente um representante dos povos originários.
🔸 Depois de uma reunião com o presidente Lula (PT), o senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou a liderança do governo no Senado. A decisão foi apresentada por ambos como um afastamento em “comum acordo”, informa o Metrópoles. Wagner afirmou que passará a se dedicar à sua defesa e às campanhas de reeleição de Lula, do governador baiano Jerônimo Rodrigues (PT-BA) e à própria candidatura ao Senado. A mudança ocorre dias depois de Wagner ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga suspeitas ligadas ao Banco Master. Na ação, foram apreendidos US$ 55 mil, 33,5 mil euros e mais de dez relógios.
🔸 “Tinha três mulheres em casa, e eu não podia ficar desarmado.” Foi assim que Jair Bolsonaro (PL) justificou à Polícia Civil do Distrito Federal o fato de manter uma uma arma registrada em seu nome durante o período de prisão domiciliar. Ele foi ouvido na terça-feira. Segundo o Congresso em Foco, a declaração foi destacada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao solicitar manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o caso. Para o magistrado, a posse da arma pode configurar falta grave durante o cumprimento da medida. A defesa de Bolsonaro já havia admitido que a arma lhe pertencia, mas alegou que o armamento havia sido tornado inoperante após a retirada de uma peça por integrantes de sua equipe de segurança, como precaução devido ao uso de medicamentos psiquiátricos.
📮 Outras histórias
Moradores dos bairros do Curuzu e da Federação, em Salvador, mantêm a tradição de decorar ruas para a Copa do Mundo e as festas juninas. “Este ano a demanda aqui no Curuzu está muito mais fraca, porém fiz questão de me empenhar para arrumar a nossa rua”, conta o motorista de ônibus, Jorge Mitis, 45 anos, que reuniu cinco moradores para organizar e enfeitar a Rua Direita do Curuzu. A Entre Becos acompanha iniciativas comunitárias lideradas por moradores como Jorge na capital baiana. Na rua 13 do bairro da Federação, bandeirolas tomam conta do céu. Ali, a ornamentação acontece desde 2006 e mobiliza dezenas de moradores. “No começo o pessoal fica meio na incerteza, sem saber se o Brasil vai longe. Mas quando começa a colocar as bandeiras, todo mundo se anima e ajuda”, explica o comerciante Ivo Vieira da Silva, morador da localidade há 25 anos. Além de fortalecer os laços comunitários, a preparação movimenta pequenos fornecedores locais e se soma ao impulso econômico gerado pelas festas juninas nesta época do ano.
📌 Investigação
“Vivo recebendo mensagens de gente achando que sou ‘fácil’. Alguns ex-clientes vão te perseguir para sempre. Eles pensam que têm direito ao seu corpo”, afirma Ana Paula Lima. Em 2020, aos 20 anos, ela fez dezenas de ensaios fotográficos. Foram cerca de três anos vendendo fotos e vídeos em plataformas como OnlyFans e Privacy. Apesar de ter deixado a produção de conteúdo adulto há três anos, ela tem dificuldade de começar do zero e sofre com o compartilhamento de imagens antigas e com o assédio online. A revista piauí mostra como mulheres que deixam de vender conteúdo têm dificuldades para recomeçar a vida e são vítimas da partilha sem consentimento de suas imagens, o que é crime no Brasil. O próprio OnlyFans não permite que os clientes “printem” as fotos e vídeos – cujos criadores têm total direito sobre eles. O sistema, porém, não é seguro o suficiente e é comum que as imagens circulem ilegalmente em sites de pornografia.
🍂 Meio ambiente
Em um cenário em que 66% das cidades de Minas Gerais afirmam não estar preparadas para enfrentar extremos climáticos, a Defesa Civil e a academia articulam estratégias para a chegada do El Niño. O fenômeno climático tem previsão de ser mais forte a partir de novembro. Segundo o coronel Paulo Roberto Bermudes Rezende, coordenador da Defesa Civil estadual, com a falta de recursos estruturais, os governos locais acabam abandonando a prevenção de infraestrutura para focar exclusivamente na tentativa de evacuação e sobrevivência por meio de sistemas de alerta. O Projeto Preserva conta que o Climativa, iniciativa liderada pela Universidade Federal de Minas Gerais, capacita a própria Defesa Civil e auxilia prefeituras de pequenos e médios municípios mineiros a estruturarem suas respostas a eventos extremos e elaborarem seus Planos de Ação Climática. O projeto usa dados públicos abertos e a vivência da população local, adotando uma metodologia simplificada.
📙 Cultura
“A cultura precisa funcionar como um sistema”, afirma a historiadora Juliana Brito, que coordena a Biblioteca Comunitária Donaraça, na zona rural de Vitória da Conquista (BA). Além de gerir o equipamento que foi reconhecido em nível estadual como Ponto de Cultura, ela participa ativamente dos espaços de debate e construção cultural do município, como o Plano Municipal de Cultura. Em entrevista ao Conquista Repórter, ela fala sobre o desenvolvimento do documento e suas expectativas: “Esperamos que realmente se tenha um olhar sensível para o setor das bibliotecas e da literatura. A gente entende a literatura como uma cadeia produtiva muito grande do livro: editoras, livreiros, mediadores, contadores de história e artistas da palavra, de forma geral. E nós temos muitos em Conquista”, diz. “Esperamos que seja criado um sistema municipal de bibliotecas e já começamos a mobilizar pela criação de um plano municipal do livro e da leitura, que também é uma determinação federal.”
🎧 Podcast
Com a nova configuração do futebol mundial, a relação entre a população brasileira e a Seleção levanta questionamentos sobre um possível distanciamento emocional e uma crise quanto ao “orgulho nacional”. A “Rádio Escafandro”, produção da Rádio Guarda-Chuva, mergulha na série de fatores que podem ter causado o fenômeno, de vexames históricos, como o 7 a 1, e a ida prematura de talentos para o exterior. Este último impede a criação de vínculos entre os torcedores e os atletas. No passado, ídolos como Sócrates e Zico eram figuras cotidianas, com anos de atuação em clubes nacionais. Nesse sentido, o futebol brasileiro passou a operar como vitrine que transforma o atleta em uma “commodity”, em que jovens com potencial são vendidos aos gigantes da Europa antes mesmo de estrearem como profissionais.
🏃🏿♂️ Esporte
Por trás de três artilheiros da Copa do Mundo 2026 – Lionel Messi (Argentina), Kylian Mbappé (França) e Erling Haaland (Noruega) –, há uma força mental estudada pelos psicólogos esportivos para manter o foco sob pressão. Na Fast Company Brasil, o psicólogo esportivo Eric Zillmer, diretor do Laboratório de Soluções em Liderança Esportiva Global, da Universidade Drexel, reúne princípios da psicologia moderna considerados essenciais para o alto desempenho. Entre os métodos, estão táticas de disrupção para desestabilizar o adversário; condicionamento da atenção, que combina eficiência cognitiva e dedicação para ocupar a posição ideal para finalizar; o devaneio controlado, quando o jogador sabe exatamente o momento de concentrar a atenção; e a criatividade técnica para encontrar soluções em situações individuais ou coletivas complexas durante a partida.




