A indefinição da chapa de Flávio Bolsonaro e 1 ano sem celular nas escolas
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🔸 Em encontro com embaixadores, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) repetiu o pai, Jair Bolsonaro (PL), e questionou a segurança das urnas eletrônicas brasileiras ontem, em Brasília. Segundo o Metrópoles, o pré-candidato à Presidência do PL citou documentos da CIA divulgados pelo governo Donald Trump sobre a capacidade de o governo venezuelano manipular sistemas eletrônicos de votação e afirmou que urnas usadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem da empresa Smartmatic. “Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, disse. A informação é falsa: a Smartmatic não fornece máquinas de votação nem software para as eleições brasileiras. A reportagem lembra que, em junho de 2023, o TSE condenou Jair Bolsonaro a oito anos de inelegibilidade por reunir embaixadores para questionar a segurança das urnas eletrônicas.
🔸 A poucos dias da convenção nacional do PL, Flávio Bolsonaro segue sem vice e sem alianças para a disputa ao Palácio do Planalto. A CartaCapital destaca que as negociações com partidos do Centrão enfrentam dificuldades: a federação União Brasil-PP caminha para a neutralidade na eleição presidencial; já o Republicanos, principal interlocutor do PL, mantém conversas, mas sem compromisso de apoio. Sem coligação, Flávio tende a ter menos tempo de propaganda eleitoral que o presidente Lula (PT) e deve adiar a definição da chapa até o fim do prazo das convenções. A economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, é a favorita do senador para vice, mas esbarra na resistência dentro do Republicanos e do próprio PL.
🔸 “Mais do que escolher o candidato que rejeitam menos, muitos brasileiros parecem pouco entusiasmados com as opções que têm diante de si.” Em coluna no Jota, o jornalista Fabio Murakawa afirma que o desalento, e não a rejeição, deve decidir a eleição presidencial deste ano. Segundo ele, Lula busca um quarto mandato sem o entusiasmo que marcou suas campanhas anteriores, e Flávio Bolsonaro perdeu força na tentativa de se apresentar como uma versão mais moderada do pai após o caso Master e o tarifaço dos Estados Unidos. Murakawa destaca que 54% dos eleitores já veem Flávio como tão radical quanto Jair Bolsonaro e apenas 29% ainda o consideram um perfil mais ameno, segundo pesquisa Quaest. O jornalista lembra ainda que a rejeição chega a 57% para o senador e a 50% para Lula.
🔸 À esquerda e à direita, as campanhas reconhecem a importância do voto feminino – e, especificamente, do voto das mulheres evangélicas. A cientista social Simony dos Anjos analisa esse voto a partir de três eixos: religião e moralidade, políticas públicas e família. Em coluna na revista AzMina, ela ressalta que esse eleitorado não pode ser tratado de forma homogênea nem explicado apenas pela influência das lideranças religiosas. Segundo levantamento do Instituto de Estudos da Religião (Iser), o cotidiano e as demandas por políticas públicas levam muitas mulheres evangélicas a relativizar orientações de pastores. “Acreditar que a mulher evangélica vota de forma estritamente ideológica, sem considerar a sua vivência e suas demandas é um erro basilar nas análises eleitorais que pretendem compreender esse segmento”, afirma.
🔸 O número de eleitores indígenas e quilombolas registrados pela Justiça Eleitoral quase dobrou entre as eleições municipais de 2024 e as gerais de 2026. A Alma Preta mostra que o eleitorado indígena cresceu 84%, passando de 155,6 mil para 287,1 mil pessoas. Já os eleitores quilombolas aumentaram 97%, de 95,4 mil para 188,3 mil. O TSE atribui parte desse avanço à ampliação do cadastro eleitoral, já que informações como etnia indígena e pertencimento a comunidades quilombolas passaram a ser coletadas por autodeclaração apenas a partir de novembro de 2022. A Região Norte concentra quase metade dos eleitores indígenas do país, e o Nordeste reúne mais da metade do eleitorado quilombola.
📮 Outras histórias
Há mais de três décadas, a família Silva mantém viva a tradição da capoeira e da agricultura comunitária no Jardim Valéria, bairro da periferia de Vitória da Conquista (BA), como forma de enfrentar a falta de infraestrutura e de políticas públicas. O Conquista Repórter conta como filhos, netos e bisnetos preservam o legado de Maria Vera da Silva, a Dona Pretinha, que morreu em 2024 e, nos anos 1990, fundou uma horta comunitária e se tornou referência na preservação das raízes africanas. Mestre Graúna, filho de Dona Pretinha, coordena voluntariamente o grupo de capoeira Pelourinho da Bahia, no Jardim Valéria. Sem sede própria, as aulas acontecem nas ruas ou em uma quadra sem iluminação e banheiros. Para Graúna, a situação é reflexo da visão equivocada da sociedade sobre a capoeira. “É uma cultura que vem para educar, só que as escolas não abraçam isso, só nos chamam quando precisam da gente para datas comemorativas”, afirma.
📌 Investigação
As três maiores fabricantes de cigarros do país – BAT, JTI e Philip Morris – mantêm estratégias de propaganda proibidas pela legislação brasileira. Sem poder recorrer à publicidade na TV, em rádio ou outdoor, a indústria recorre ao ponto de venda, o que é vetado para produtos de tabaco, segundo a Anvisa, agência responsável pela regulação do setor. O Joio e O Trigo revela que as empresas orientam distribuidores a ampliar a visibilidade das marcas com cartazes, mockups, cores, planogramas e promoções comerciais, apesar de a Anvisa permitir apenas a exposição dos maços acompanhados de tabelas de preços e advertências sanitárias. A reportagem visitou pontos de venda da região metropolitana de Porto Alegre e encontrou materiais promocionais, cigarros expostos ao lado de doces e produtos voltados ao público infantil e ofertas de bonificações a varejistas, práticas consideradas irregulares pelo órgão federal. Desde 2018, as três gigantes da indústria do tabaco acumularam ao menos R$ 6 milhões em multas.
🍂 Meio ambiente
O turismo e o tráfego de embarcações podem comprometer a comunicação entre peixes recifais. O problema são os ruídos que se sobrepõem às frequências sonoras usadas pelos animais para reprodução, alimentação e defesa de território. As conclusões são de artigo publicado na revista científica “Neotropical Ichthyology” pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Segundo a Agência Bori, os pesquisadores cruzaram gravações subaquáticas e observações de campo nas praias dos Carneiros e de Tamandaré, no litoral pernambucano. Foram identificadas cinco fontes de poluição sonora (jet skis, lanchas, barcos de pesca, parapentes motorizados e banhistas) e nove diferentes sons de peixes. Três desses sons emitidos pelos animais deixaram de ser registrados em locais expostos ao movimento humano.
📙 Cultura
A costureira, contadora de histórias e Mestra Griô Sirley Amaro (1936–2020) ajudou a preservar a memória da população negra de Pelotas (RS) ao transformar retalhos de tecido em ferramenta de educação e valorização da cultura afro-gaúcha. O Nonada relembra a trajetória dela desde a infância, marcada pelos saberes transmitidos pela mãe, até o reconhecimento como liderança cultural, passando por seu esforço para confrontar a narrativa tradicional de uma Pelotas contada apenas a partir da herança europeia. Em 2019, ela se tornou a primeira mulher negra a receber o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal de Pelotas. O fuxico é a assinatura de Sirley Amaro. Inspirada em um conto de Eduardo Galeano sobre uma mulher que carregava histórias nos bolsos da saia, ela criou oficinas em que crianças confeccionavam fuxicos enquanto ouviam histórias sobre ancestralidade, cultura afro-brasileira, Zumbi dos Palmares e o Carnaval de Pelotas.
🎧 Podcast
As mulheres ainda são minoria nas cabines de DJ, apesar de terem conquistado mais espaço na cena musical. No episódio “As mulheres, a noite e o disco”, do “Manda Cultura”, produção do Manda Notícias, as DJs K4rinhoza e Brazook discutem os desafios de atuar em um ambiente historicamente dominado por homens, a ocupação das mulheres na vida noturna e a busca por reconhecimento profissional. Segundo dados da Brazil Music Conference (BRMC), apenas 1,7% dos DJs em atividade no país são mulheres, e 98,3% são homens. “A gente precisa quebrar de uma vez por todas esse estereótipo de que mulher que trabalha na noite não presta”, defende a DJ K4rinhoza.
🧑🏽🏫 Educação
Um ano após a entrada em vigor da lei que restringe o uso de celulares nas escolas, diretores de instituições públicas e privadas relatam melhora no bem-estar e no desenvolvimento dos estudantes. Um estudo realizado pelo Ministério da Educação e pelo Inep ouviu 2.469 gestores de escolas públicas e privadas de todas as regiões do Brasil. O resultado: 88% deles identificaram redução de conflitos, agressões digitais e situações de cyberbullying, e 85% associam a medida à diminuição da ansiedade dos estudantes. O Lunetas detalha a pesquisa e lembra que a legislação, implementada de forma pioneira na cidade do Rio de Janeiro, vigora em 92% das escolas brasileiras. Entre os diretores entrevistados, 97% afirmam perceber aumento da participação dos estudantes nas atividades pedagógicas, e 95% relatam melhora na concentração de crianças e adolescentes. O levantamento também indica aumento da socialização presencial e das brincadeiras nos intervalos das aulas.



