O cerco contra as bets e o mercado da crise da masculinidade
Uma curadoria do melhor do jornalismo digital, produzido pelas associadas à Ajor. Novos ângulos para assuntos do dia
🔸O Brasil venceu o Japão ontem por 2 a 1, de virada, em Houston, e garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo. Depois de sair atrás no placar com gol de Sano ainda no primeiro tempo, a Seleção reagiu na etapa final com Casemiro, que empatou aos 10 minutos, e Gabriel Martinelli, que saiu do banco para marcar o gol da classificação aos 49 minutos. O Esporte News Mundo relembra os principais momentos da partida e lembra que, com a classificação assegurada, o Brasil enfrentará Noruega ou Costa do Marfim, em partida marcada para o dia 5 de julho, no Estádio de Nova Jersey. O Terra destaca que esta foi a primeira virada da Seleção sob o comando de Carlo Ancelotti. Desde que assumiu a equipe, em maio de 2025, o treinador italiano ainda não havia conseguido vencer uma partida após sair em desvantagem no placar.
🔸 As bets podem ganhar novas restrições nas transmissões esportivas. Um projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados propõe proibir que narradores e comentaristas esportivos mencionem ou analisem odds, façam prognósticos de apostas ou associem o desempenho de atletas a possíveis ganhos financeiros durante transmissões esportivas. A Agência Pública explica que o texto, de autoria da deputada Camila Jara (PT-MS), surge em meio às críticas à publicidade de bets durante a Copa do Mundo, especialmente nas transmissões da CazéTV. Nos últimos dias, a deputada Erika Hilton (Psol-SP) acionou o Ministério Público Federal contra a divulgação de apostas por comentaristas, a Senacon abriu investigação sobre a CazéTV por possível publicidade abusiva e o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) recomendou a suspensão de três anúncios de casas de apostas exibidos nas transmissões.
🔸 A propósito: o Ministério da Fazenda também estuda endurecer a regulamentação do setor. O Jota apurou que as medidas podem incluir novas penalidades para empresas e até a edição de uma medida provisória. No centro das discussões está o possível descumprimento do Anexo X do Conar, que proíbe promessas de ganhos irreais, determina a proteção de crianças e adolescentes e exige alertas obrigatórios sobre os riscos das apostas. Também entrou na mira do governo a divulgação de odds durante as transmissões da CazéTV, embora o entendimento inicial seja de que a responsabilidade recai sobre as empresas de apostas, e não sobre os veículos de comunicação. O governo ainda avalia tornar obrigatória a exibição de avisos sobre os riscos do jogo ao fim de cada publicidade de bet.
🔸 “A onda de calor que atingiu a Europa em 2026 deve ser lida pelo Brasil como um alerta institucional grave”, afirma Carlos Bocuhy, presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam). Em artigo n’O Eco, ele argumenta que o calor extremo deixou de ser um evento climático excepcional para se tornar uma emergência de saúde pública, com impactos também sobre educação, infraestrutura, economia e desigualdade social. Na França, por exemplo, cerca de mil pessoas morreram em apenas três dias durante a onda de calor, a maioria idosos. “No Brasil, essa realidade exige uma mudança imediata de postura da administração pública. (...) As escolas são um dos pontos mais sensíveis dessa agenda. Crianças submetidas a salas superaquecidas têm sua saúde e sua aprendizagem prejudicadas”, alerta.
📮 Outras histórias
A Acadêmicos da Rocinha, escola de samba da comunidade da zona sul do Rio de Janeiro, anunciou que o enredo para o Carnaval de 2027. Com o tema “Sou Império, Sou Unidos e Jovem! A Borboleta a Caminho da Glória”, a agremiação fará uma homenagem aos blocos Império da Gávea, Sangue Jovem e Unidos da Rocinha, que marcaram a história do carnaval da comunidade nas décadas de 1960, 1970 e 1980 e deram origem à escola de samba. O Fala Roça conta que o enredo propõe um resgate da memória da Rocinha e apresenta a favela como protagonista de sua própria história. Além de revisitar o crescimento da comunidade e suas lutas por infraestrutura, o samba apresenta os blocos carnavalescos como espaços de encontro e resistência.
📌 Investigação
O perfil Victor Doné, dedicado à venda de cursos e produção de vídeos em que ensina supostas “fórmulas mágicas” para ter sorte e dinheiro, é um dos cinco maiores anunciantes de conteúdos sociais e políticos nas plataformas da Meta. A conta está atrás apenas do governo federal, do Partido dos Trabalhadores (PT), do Instituto Conhecimento Liberta (ICL) e da Prefeitura do Rio de Janeiro. A Agência Lupa revela que, desde 2021, Victor Doné veiculou mais de 55 mil anúncios no Facebook, Instagram e Messenger a um custo de mais de R$ 2,1 milhões. Entre os dias 22 de março e 19 de junho de 2026, foram mais de R$650 mil gastos para promover 12 mil publicações. Os posts acompanham vídeos desinformativos que prometem revelar “segredos” para melhorar a vida financeira de quem assiste. Entre eles, mais de 400 aconselhavam usuários a parar de consumir água com flúor, cujos benefícios para saúde são amplamente comprovados, pois a substância bloquearia a prosperidade.
🍂 Meio ambiente
A nova lei da União Europeia pode afastar pequenos agricultores das exportações, mostra levantamento das pesquisadoras Kethelyn Ferreira e Marta Castilho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A Agência Bori detalha o estudo, que revela como o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento – que impõe a comprovação de que as safras não vêm de áreas desmatadas após 2020 – recai de forma agressiva sobre a base da pirâmide produtiva. Famílias e cooperativas rurais esbarram em limitações técnicas e na ausência crônica de regularização fundiária no país. Sem acesso a tecnologias sofisticadas para gerar os dados rastreáveis exigidos pelo operador europeu, o custo fixo por unidade produzida dispara. A exigência inviabiliza a comercialização direta por esses grupos, atuando como um “protecionismo verde” que aprofunda as desigualdades produtivas da agricultura brasileira.
📙 Cultura
“Os editais estão defasados. O que nós fazemos é trabalhar ensinando as pessoas sem cobrar. Nunca cobrei nada de ninguém para tocar, para ensinar a tocar e nem fabricar o instrumento, na esperança de que a pessoa que aprendeu a fazer também ganhe alguma coisa para se manter. A gente faz mais por conta própria porque a gente tem o amor pela cultura, porque tem prazer de fazer, não que a gente pense em ganhar”, afirma Mestre Catarino da Silva Oliveira, artesão de instrumentos essenciais para o carimbó. O Nonada conta como mestres luthiers brasileiros lutam para preservar a fabricação artesanal de instrumentos ancestrais, como o ganzá, a viola de cocho, o curimbó e o sopapo, indispensáveis para algumas das principais expressões culturais populares. Apesar desses saberes serem reconhecidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural imaterial, os mestres carecem de incentivos e não conseguem se dedicar exclusivamente à feitura do instrumento.
🎧 Podcast
A “machosfera” combina desinformação científica e discursos reacionários para promover a misoginia e lucrar com a insegurança masculina. O “Ciência Suja”, produção da NAV Reportagens, mergulha na ideologia redpill e explora como a obsessão por ser “macho alfa” e por testosterona são distorcidos para justificar a dominação feminina e vender cursos e outras soluções pseudocientíficas no “mercado da masculinidade em crise”. O episódio explora também os riscos da disseminação desses conteúdos para a segurança das mulheres e suas relações com a escalada de violência de gênero no país.
👩🏾⚕️ Saúde
Tratamentos hormonais e cirurgias como a mastectomia (retirada das mamas), oferecidos no Sistema Único de Saúde (SUS), permitem que homens trans e pessoas transmasculinas se sintam confortáveis e voltem a praticar seus hobbies, como tomar banho de mar. “A disforia tem relação com a saúde mental e com a imagem corporal. É conseguir ficar bem com o seu corpo”, afirma a psicóloga Juliana Mazza, que atua em uma ONG que oferece atendimento psicológico em grupo para essa população. “A ideia de poder treinar, de poder ir à praia, de poder tirar camisa, que tem a ver também com um comportamento que tem relação com o gênero.” A Marco Zero explica como o processo transexualizador no SUS garante a saúde física e mental de pessoas trans e demanda que as unidades tenham equipes multidisciplinares para cuidar e acompanhar os pacientes, de enfermeiros e cirurgiões plásticos a psicólogos e assistentes sociais.




