Os cenários para o segundo turno e os municípios com mais emendas Pix
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🔸Duas novas pesquisas divulgadas ontem mostram Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) consolidados na liderança da disputa eleitoral deste ano. A CartaCapital detalha que, no levantamento BTG/Nexus, com margem de erro de 2%, o petista lidera o primeiro turno com 40% das intenções de voto, contra 35% do senador, seguidos de Ronaldo Caiado (PSD), com 5%, e Renan Santos (Missão), com 4%. Na estreia da pesquisa Palver, cuja margem de erro é de 3%, Lula tem 44% contra 40% de Flávio, enquanto Renan atinge 10%. Já para o segundo turno, o acirramento é maior: na BTG/Nexus, Lula lidera em todos os cenários, mas empata tecnicamente com Flávio (47% a 44%) e Caiado (46% a 42%). Na Palver, ambos alcançaram 46% no embate direto, e o petista mantém vantagem contra os demais adversários.
🔸 Ex-marido da ativista Maria da Penha, Marco Antônio Heredia Viveros foi preso preventivamente em Natal (RN) depois de descumprir medidas protetivas. O Congresso em Foco conta que a prisão ocorreu após ele conceder entrevista à Record TV, violando a decisão de 2024 que o proibia de divulgar dados do processo ou expor o nome e a imagem das vítimas em redes sociais, aplicativos e ambientes virtuais. A pedido do Ministério Público do Ceará, a Justiça também determinou a imediata retirada do ar das chamadas da emissora e proibiu a veiculação do conteúdo sob pena de multa. O episódio ocorreu no domingo, dois dias após a Lei Maria da Penha completar 20 anos. Em 1983, a ativista sofreu duas tentativas de homicídio por Heredia, incluindo o disparo de arma de fogo que a deixou paraplégica.
🔸 A propósito: o Brasil atingiu recorde de feminicídios em 2025, com 1.571 vítimas – a maioria mulheres negras mortas dentro de casa. Em entrevista à Agência Pública, a advogada Juliana Brandão analisa os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e expõe o fracasso do Estado em prevenir a violência de gênero. Coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ela ressalta que o feminicídio é o ápice de um ciclo de abusos psicológicos e físicos naturalizados no ambiente doméstico. Segundo Brandão, há uma dependência exclusiva do direito penal, que pune o agressor, mas não recupera vidas nem ampara os órfãos. Ela destaca ainda que a desproteção é agravada pelo racismo estrutural, que submete a mulher negra a uma maior vulnerabilidade e negação de direitos, exigindo políticas preventivas focadas. “Enquanto não reconhecermos esse atravessamento do racismo, que, de fato, coloca a população negra em uma condição de subalternidade, em uma condição de não acesso a direitos, vamos continuar vendo esses números se recrudescendo”, afirma.
🔸 A Polícia Federal encontrou uma foto no celular do senador Weverton Rocha (PDT-MA) que demonstra a proximidade de parlamentares com o advogado Willer Tomaz, alvo de investigações sobre desvios no Instituto Nacional de Seguridade Social. A revista piauí revela que a imagem, de abril de 2023, mostra Tomaz ao lado de parlamentares como Arthur Lira (PP-AL), Juscelino Filho (PSDB-MA), Elmar Nascimento (União-BA) e Paulo Azi (União-BA) e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) em uma piscina em Planaltina (GO). A PF suspeita que o advogado lavasse dinheiro para Weverton e teria transferido R$ 11 milhões para a esposa do senador e pago suas contas pessoais. O passeio foi agendado em um grupo de WhatsApp chamado “Grupo Seleto”.
📮 Outras histórias
Uma nova lei em Santos (SP) quer reduzir as barreiras sensoriais enfrentadas por pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias em grandes eventos. “Essa conquista diz para nossas crianças que elas pertencem a esses lugares”, afirma Michele Teles, mãe de Levi, 7 anos, que tem dificuldade de realizar passeios simples e precisa de acolhimento adequado para evitar ou conter crises. O Juicy Santos explica que a legislação exige que estádios, arenas e ginásios com capacidade acima de 5 mil pessoas ofereçam salas de integração sensorial, abafadores de ruído, acessos exclusivos e ingressos específicos. Para o psicomotricista Fernando Mezadre, a legislação pode ampliar a participação social de pessoas autistas e de suas famílias, além de melhorar a qualidade de vida e oferecer mais conforto e segurança, com a reorganização mais rápida da pessoa neurodivergente em momentos de crise.
📌 Investigação
Nos cinco municípios que mais receberam recursos de emendas Pix em 2025, mais de 70% das verbas foram aplicadas em urbanismo e infraestrutura. A Agência Tatu analisou os dados do painel Transfere.gov e revela que dos R$ 182 milhões enviados a Macapá (AP), Maceió (AL), Mucajaí (RR), Sena Madureira (AC) e Tauá (CE), R$ 129,9 milhões custearam pavimentações, praças e reformas públicas. O valor é sete vezes maior que o da saúde (R$ 18 milhões), segunda área mais beneficiada. Educação e assistência social foram as que receberam menos investimento do tipo, com R$ 2,59 milhões e R$ 1,76 milhões, respectivamente. Apesar das novas exigências do Supremo Tribunal Federal para prestação de contas detalhadas desde 2025, a alocação da verba Pix levanta questionamentos sobre sua eficácia e seu uso político, sem atender às necessidades coletivas mais urgentes.
🍂 Meio ambiente
Mitigação e adaptação climáticas são estratégias diferentes e complementares para enfrentar a emergência global. É o que explica Patrícia Morellato, bióloga e diretora do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima, da Universidade Estadual Paulista. Em artigo no The Conversation Brasil, a pesquisadora destaca que a mitigação foca em combater as causas do aquecimento, ao reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o desmatamento e a mudança do uso do solo. Já a adaptação tem o papel de preparar as cidades e a produção agrícola para os eventos climáticos extremos, como enchentes e secas severas. Para Morellato, são necessárias ações integradas para promover resiliência e justiça ambiental tanto na mitigação quanto na adaptação.
📙 Cultura
O livro e documentário “Cajuína: Substantivo Feminino” buscam resgatar a história das mulheres na produção artesanal de cajuína no Piauí. A jornalista e pesquisadora Sara Almeida Campos lançou uma campanha de financiamento coletivo para viabilizar a iniciativa. Segundo a Eco Nordeste, o projeto quer mapear o protagonismo de artesãs como Maria Portela Veloso, pioneira na comercialização e na rotulagem da bebida entre 1920 e 1930. Embora o modo de preparo da bebida feita de suco caju clarificado seja patrimônio imaterial do Brasil, a salvaguarda dessa herança está ameaçada pelo êxodo rural e pela falta de interesse de jovens no trabalho artesanal. “A questão sucessória na produção de cajuína artesanal tem sofrido esses desafios, até porque produzir cajuína exige uma dedicação grande, muitas vezes exclusiva dessas pessoas”, diz a pesquisadora.
🎧 Podcast
“Eu gosto muito do futuro. Eu tenho uma fé inabalável na vida”, diz a vereadora do Rio de Janeiro Thais Ferreira (PSOL). No “Fio da Meada”, produção da Rádio Novelo, ela detalha que pretende abandonar a carreira pública e que as ameaças físicas e virtuais contra ela e sua família impactaram seu desejo de permanecer na política institucional. Depois de dois mandatos, com mais de 150 leis aprovadas, a parlamentar critica o racismo partidário, a falta de segurança para mandatos de oposição e o subfinanciamento das campanhas de mulheres, além de defender uma reforma que garanta viabilidade e estrutura real para lideranças de origem popular. “Acolher pessoas que possam, de fato, qualificar os parlamentos também significa olhar com mais profundidade para a história delas.”
👩🏽🏫 Educação
No projeto “Lentes de Afeto”, estudantes do ensino médio usam o cinema e a escuta ativa para enfrentar o etarismo e conectar gerações. No Porvir, o professor Matheus Cosmos narra que a iniciativa resultou no documentário “Entrelaços”, produzido em suas aulas em São Paulo. Os alunos entrevistaram frequentadores do Centro de Convivência do Idoso de Caieiras e abordaram temas como amor, família, saudade, sonho e futuro. Com celulares e equipamentos profissionais, a turma participou de todas as etapas de roteirização, captação e edição. “O projeto foi uma ponte que nos levou a lembrar que os idosos passaram a vida construindo suas histórias e agora é a nossa vez de parar para ouvi-las”, diz Lincon Amarantes, um dos alunos do projeto.



