O cenário eleitoral de Lula e os deputados com mais projetos pró-LGBTQIA+
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🔸 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve sua candidatura à reeleição oficializada ontem, durante a convenção nacional do partido, em São Paulo. Se vencer a eleição de 2026, conquistará um inédito quarto mandato presidencial. A CartaCapital detalha o evento que confirmou a nomeação de Lula. Em seu primeiro discurso como candidato, Lula afirmou que fará uma campanha centrada no legado de seu terceiro governo, mas defendeu uma postura mais combativa em um eventual novo mandato. “Minha quarta presidência é para mudar muita coisa neste país. E vai ter briga com emenda parlamentar. Vai ter briga com o poder Legislativo”, ressaltou. “A gente vai ter que ser mais ousado.” Lula também disse que pretende trabalhar para ampliar a base aliada no Congresso, reconheceu que seu governo cometeu erros e afirmou que a campanha vai destacar as realizações dos últimos quatro anos. O presidente repetirá a chapa de 2022, com o vice Geraldo Alckmin (PSB), com a coligação que reúne PT, PSB, PCdoB, PDT, PSOL, PV e Rede.
🔸 Ao perceber que nenhuma mulher estava prevista entre os oradores da convenção nacional do PT, Lula fez uma autocrítica pública. O petista interrompeu o roteiro previsto para chamar ao palco a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. “Agora, antes de eu falar, eu quero fazer uma crítica a mim, porque não é possível que a gente tenha esquecido do principal evento da nossa campanha sem colocar uma mulher para falar”, disse. Segundo o Congresso em Foco, o gesto reforça o protagonismo feminino na estratégia da campanha, em um momento em que pesquisas apontam maior rejeição do eleitorado feminino ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Janja, por sua vez, reforçou que as mulheres serão decisivas para a reeleição do presidente: “Somos nós, mulheres, que levantamos fazendo a marmita do nosso marido, levando nossos filhos para a escola, trabalhando de sol a sol, pegando transporte coletivo, chegando em casa 10 horas da noite, limpando a casa. Somos nós, mulheres, que vamos eleger você novamente”.
🔸 A propósito: Lula encontra agora um cenário bastante diferente do enfrentado há 20 anos, quando buscou e obteve sua primeira reeleição. O Nexo compara os contextos de 2006 e 2026 e mostra que, embora o governo apresente indicadores econômicos positivos, o petista chega à disputa com rejeição elevada e em um ambiente de maior polarização política. “A maior dificuldade de Lula, enquanto candidato à reeleição, é a alta rejeição. A rejeição aumentou muito e, evidentemente, isso dificulta, mas ele também está concorrendo com um candidato que tem uma rejeição superior à dele”, avalia o cientista político Leonardo Avritzer. Segundo pesquisa recente do Datafolha, o atual presidente tem rejeição de 46% dos eleitores; e Flávio Bolsonaro, 48%. Para Marco Antônio Teixeira, professor de Ciência Política da FGV EAESP, o discurso da soberania – que não era tão forte há 20 anos como é hoje – “é o grande trunfo de Lula”.
🔸 No sábado, foi a vez do empresário e fundador do MBL Renan Santos oficializar sua candidatura à Presidência pelo recém-criado Partido Missão. Ele fez críticas ao presidente Lula e a Flávio Bolsonaro e afirmou que representa um projeto político próprio, e não uma terceira via. A Agência Pública explica como o partido do candidato estruturou uma máquina de formação de militantes por meio da Academia MBL, que prepara políticos, assessores e criadores de conteúdo para atuar de forma coordenada nas redes sociais e na política institucional. A organização combina treinamento prático e mobilização local para ampliar sua influência, sobretudo entre os jovens, público em que Renan Santos vem crescendo nas pesquisas. Com uma agenda ultraliberal na economia e conservadora nos costumes, o Missão tem propostas que flertam com a ruptura democrática. Entre elas estão a convocação de uma nova Assembleia Constituinte e a adoção do modelo de segurança pública de Nayib Bukele em El Salvador.
📮 Outras histórias
Nas décadas de 1980 e 1990, as festas juninas da Rocinha tinham na quadra da Rua Um um de seus principais pontos de encontro. Era ali que crianças, adolescentes e adultos se reuniam para ensaiar e apresentar as quadrilhas do grupo Renascer da Rocinha, liderado por Dona Mariquinha. Reconhecida como uma das pioneiras em grupos de caipira na favela da zona sul do Rio de Janeiro, ela foi também a única mulher da comunidade a presidir um grupo folclórico. O Fala Roça recupera a história de Dona Mariquinha a partir das lembranças de sua filha Nana, moradora da Rua Um, que cresceu participando das quadrilhas. Ela conta que a mãe enxergava a quadrilha como um espaço de convivência e formação para a juventude. “Ela amava caipira, cultura, ver o grupo unido. O que mais a motivava era ver os jovens ocupados, fazendo o que gostavam, alegres, brincando. Isso a deixava muito feliz e realizada, ela ficava emocionada ao ver a quadrilha pronta para dançar”, lembra Nana.
📌 Investigação
Em Nazareth, comunidade indígena na Amazônia colombiana, um alto-falante espalhado pela vila anuncia reuniões, campanhas de saúde e, com frequência crescente, suicídios de jovens. Desde 2020, foram 12 mortes. A InfoAmazonia mostra que a tragédia está ligada ao avanço do narcotráfico na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, onde indígenas Tikuna e Kokama são recrutados para trabalhar em plantações e laboratórios de coca, muitas vezes recebendo pasta-base de cocaína como pagamento. Entre as comunidades indígenas da Amazônia colombiana, Bellavista é conhecida por ser um dos principais epicentros do cultivo e da produção de coca, o que fortaleceu a presença do Comando Vermelho (CV) na região e ampliou o recrutamento de indígenas colombianos. Segundo Raymundo Fernández, líder comunitário e coordenador da guarda indígena de Azcaita, muitos jovens “aceitam vender drogas” e, depois, “já não conseguem sair porque passam a ser ameaçados pelos fornecedores”.
🍂 Meio ambiente
Em vez de reparar os danos causados ao meio ambiente, parte das multas ambientais aplicadas em Mato Grosso tem sido convertida na compra de bens e serviços para a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). O Eh Fonte revela que a prática ocorre por meio de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) e se soma a falhas na transparência e no funcionamento do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema). Entre 2022 e 2024, a Sema firmou ao menos 19 acordos com infratores ambientais, de modo que multas puderam ser convertidas em caminhonetes, mobiliário, softwares e reformas para o próprio órgão, em vez da recuperação das áreas degradadas. Para o advogado Lafayette Garcia Novaes Sobrinho, o modelo compromete a imparcialidade da fiscalização: “Quando o órgão fiscalizador obriga o infrator a adquirir bens para entregar ao próprio órgão, o fiscalizador passa a ter interesse direto na lavratura do termo”.
📙 Cultura
Em novembro de 2025, o ofício de trancista passou a integrar a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), reconhecimento que abriu caminho para políticas públicas voltadas à categoria. A deputada estadual Ediane Maria (PSOL-SP), porém, lembra que a conquista representa apenas um primeiro passo. “É uma necessidade de reconhecer o trabalho que também é uma arte”, afirma à Alma Preta. “As tranças são um símbolo da negritude em um contexto de racismo estrutural.” A parlamentar é autora de um projeto de lei que prevê cadastro profissional, capacitação, linhas de crédito e incentivos às trancistas em São Paulo. “As trançadeiras e trancistas não são apenas prestadoras de serviço: são guardiãs de um conhecimento ancestral que atravessa gerações”, destaca a trancista e pesquisadora Layla Maryzandra, mestra pela Universidade de Brasília e coordenadora do projeto Tranças no Mapa, iniciativa de cartografia social que mapeia trancistas em todo o Brasil.
🎧 Podcast
Rachaduras nas casas e barulho inquietante de turbinas gigantes são parte da rotina de quem vive em Capinzal do Norte e Santo Antônio dos Lopes, no interior do Maranhão. Os impactos estão associados às operações de uma central do complexo termelétrico Parnaíba, que abriga algumas das maiores usinas movidas a gás natural do país. O “Ciência Suja”, produção da NAV Reportagens, discute como a exploração de gás e o avanço do fracking, técnica de extração alvo de controvérsias científicas e ambientais, são apresentados como motores do desenvolvimento, apesar dos impactos sociais e ambientais narrados por moradores. Entre 2013 e 2024, Santo Antônio dos Lopes recebeu mais de R$ 166 milhões em royalties da exploração de gás. Já Capinzal do Norte somou cerca de R$ 80 milhões. Mas a riqueza não chegou à população na mesma proporção: em 2023, o salário médio dos trabalhadores com carteira assinada em Capinzal era de apenas 1,1 salário mínimo, e somente 436 moradores tinham emprego formal.
✊🏾 Direitos humanos
Em 2025, parlamentares apresentaram 113 projetos de lei favoráveis à população LGBTQIA+, dos quais 80,5% foram protocolados nas assembleias legislativas estaduais. Levantamento da Observatória, monitor legislativo da Agência Diadorim, mostra que os deputados estaduais Monica Seixas do Movimento Pretas (PSOL-SP), Guilherme Cortez (PSOL-SP) e Paula da Bancada Feminista (PSOL-SP) lideraram o ranking, com oito propostas cada. Em seguida aparecem as deputadas federais Érika Hilton (PSOL-SP), com sete projetos, e Duda Salabert (PSOL-MG), além das deputadas estaduais Dani Balbi (PCdoB-RJ) e Ediane Maria (PSOL-SP), com seis propostas cada. São Paulo concentrou 31 dos 91 projetos apresentados nas assembleias estaduais. O combate à discriminação foi o tema mais frequente, com 15 projetos que tratam de questões como violência política e discriminação em escolas, estádios, serviços públicos e no atendimento em delegacias.



