As candidaturas de cientistas ao Congresso e a volta dos irmãos Batista
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🔸 O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), oficializou ontem sua candidatura à Presidência da República. Em entrevista ao Metrópoles, ele defendeu a anistia aos condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Segundo ele, as condenações foram “prisões injustas” e deveriam ser revistas. “Sou defensor da democracia. Se alguém atentou, que pague contra isso, mas não julgamento político, tendencioso, que foi o que aconteceu no Brasil. Presidente Bolsonaro merece ter tratamento digno e não está tendo. Brasil precisa passar uma borracha e olhar para o futuro”, completou. Entre suas propostas, reiterou a intenção de retirar o Brasil do Brics, argumentando que o país pode manter relações comerciais com a China sem integrar o bloco. Na área de segurança pública, Zema defendeu a construção de um “superpresídio” na Amazônia para concentrar líderes de facções criminosas.
🔸 O PT e os partidos da Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) contra um vídeo feito com inteligência artificial que reproduziu a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Exibido durante a convenção que oficializou a candidatura do senador, o avatar afirma estar “preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária”. Segundo o Congresso em Foco, na ação apresentada ao TSE, a federação sustenta que o vídeo configura propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial para favorecer uma candidatura. Em outra frente, o PT protocolou uma notícia de fato no STF destinada ao ministro Alexandre de Moraes. O partido afirma que o vídeo pode descumprir as medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro, que o proíbem de divulgar manifestações político-eleitorais, inclusive por intermédio de terceiros.
🔸 Seis em cada dez declarações de políticos checadas durante campanhas eleitorais continham algum grau de distorção entre 2016 e 2024. É o que revela estudo da Lupa a partir de 632 conteúdos publicados pela agência ao longo dos cinco ciclos eleitorais realizados entre 2016 e 2024. Foram ao todo 397 checagens de declarações de políticos e 235 verificações de boatos. No período analisado, apenas 34% das declarações foram classificadas como totalmente verdadeiras. A pesquisa mostra que a desinformação política se tornou mais sofisticada: em vez de mentiras completamente inventadas, cresceram exageros, omissões de contexto e manipulações de fatos reais. O estudo também identificou uma mudança no ambiente de circulação dos boatos. Se em 2018 o Facebook concentrava a maior parte dos conteúdos falsos, em 2024 o WhatsApp passou a dominar a disseminação, dificultando o monitoramento e a correção das informações.
🔸 A emergência climática e o avanço de propostas que enfraquecem a proteção ambiental têm levado cientistas a trocar laboratórios e salas de aula pela disputa de vagas no Congresso Nacional. A Sumaúma mostra que pesquisadores de diferentes áreas decidiram disputar as eleições de 2026 para enfrentar o negacionismo científico e climático e ampliar a presença da ciência no debate legislativo. Entre os pré-candidatos estão a cientista climática Luciana Gatti; o ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Ricardo Galvão; a ex-presidente da Fiocruz e ex-ministra da Saúde Nísia Trindade; o oceanógrafo Wilson Cabral de Sousa Júnior; a matemática Tatiana Roque; e a geóloga Márcia Abrahão. “O negacionismo é um projeto [político]. No caso do Brasil, foi uma política do governo no período da pandemia. Cientistas no Congresso não são uma novidade. Mas, hoje, o que nos diferencia [na disputa eleitoral] é o combate ao negacionismo”, afirma Nísia Trindade, pré-candidata a deputada federal.
📮 Outras histórias
Mensagens vazadas de um grupo de WhatsApp de uma escola estadual de Arapiraca (AL) indicam que estudantes receberam a promessa de R$ 50 para participar do lançamento do programa Ronda no Bairro, em julho, com a presença do deputado federal Rafael Brito (MDB). A Mídia Caeté teve acesso às conversas, nas quais o diretor da Escola Estadual José Quintella Cavalcante, Jonathan de Moura Silva, afirma que o convite partia do parlamentar e que o valor seria destinado a transporte e alimentação dos alunos. As conversas também registram a organização de uma lista com 26 participantes. Durante o evento, Rafael Brito afirmou que havia “mais de 80 alunos” no local e agradeceu a presença. Procurada pela reportagem, sua assessoria alega que não tinha conhecimento da situação. Já o diretor da escola confirmou a autenticidade das mensagens, mas disse que ele próprio custearia a ida de alunos interessados em conhecer o parlamentar e afirmou que a referência a Rafael Brito na mensagem foi um “erro de digitação”.
📌 Investigação
No ano passado, em apenas três dias, a empresa de carros elétricos chinesa BYD conseguiu se livrar da lista suja do trabalho escravo. Em junho de 2025, a marca substituiu a terceirizada Jinjiang Group pela brasileira Engenova Construções nas obras da fábrica de Camaçari (BA), onde 163 trabalhadores chineses eram submetidos a condições análogas à escravidão. A Agência Pública revela agora que a nova prestadora de serviços incorporou parte da estrutura da antecessora: absorveu ao menos dez funcionários da Jinjiang, passou a operar no mesmo endereço dentro do complexo industrial e tem como sócia uma empresa registrada nas Ilhas Cayman, no Caribe Ocidental, território reconhecido como centro financeiro offshore e paraíso fiscal internacional.
🍂 Meio ambiente
A corrida por minerais usados em tecnologias como baterias, painéis solares e carros elétricos fez disparar os pedidos de pesquisa e exploração na Amazônia Legal. Levantamento da InfoAmazonia identificou 4.795 processos minerários para cobre, estanho, níquel, tântalo e terras raras, que somam 23 milhões de hectares – mais de 150 vezes a área da cidade de São Paulo – e estão localizados principalmente no Pará, em Mato Grosso e em Rondônia. No Senado, existem dois projetos de lei que pretendem criar uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Nenhum deles passou por discussão com sociedade civil. “É a lógica do extrativismo puro, e não do desenvolvimento com proteção ambiental. Os termos [dos projetos] relacionados ao meio ambiente, além de serem vagos, não diferenciam as etapas da mineração conforme o seu impacto e colocam como regra um licenciamento ambiental simplificado e fragilizado”, diz Fábio Ishisaki, analista de políticas públicas do Observatório do Clima.
📙 Cultura
A filósofa e ativista Angela Davis lotou um auditório da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (RJ), que terminou no último domingo. Mais de 700 pessoas se reuniram para ouvir a intelectual. A Quatro Cinco Um detalha a participação de Davis, que aproveitou o encontro para comentar o avanço do fascismo e as eleições brasileiras. Sem citar Jair Bolsonaro nem o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, ela afirmou que o desafio do Brasil é impedir que “o filho daquele” seja eleito e pediu que o país não permita interferência dos EUA no processo eleitoral. Ao explicar por que evita mencionar o sobrenome da família, disse seguir uma tradição africana segundo a qual nomear alguém lhe dá poder. A ativista também criticou a gentrificação e o racismo ambiental em Paraty, ao lembrar que comunidades pobres e quilombolas estão sendo expulsas de suas terras para dar lugar a empreendimentos imobiliários.
🎧 Podcast
Depois de anos longe dos holofotes, os irmãos Wesley e Joesley Batista voltaram ao centro do poder econômico brasileiro mais ricos e influentes do que antes da Operação Lava Jato. “O Berro do Boi”, produção da revista piauí e da Trovão Mídia, investiga como os donos da JBS atravessaram o escândalo de corrupção de 2017, quando fizeram a delação premiada que implicou o então presidente Michel Temer, e reconstruíram seu império empresarial. Ao longo de seis episódios, a jornalista Consuelo Dieguez percorre 5 mil quilômetros, entrevista dezenas de pessoas próximas à família e visita unidades de seus negócios para reconstituir essa trajetória. No episódio de estreia, ela mostra como a Lava Jato abalou a reputação dos empresários e por que a proximidade com o poder continuou sendo um dos pilares de sua ascensão.
🙋🏾♀️ Raça e gênero
“Eu te atendo, te falo tudo, te rezo e já tenho a certeza absoluta de que você vai melhorar. Nunca penso que não vai melhorar. Desde pequena eu sou assim, alegre e otimista, isso aí já é de berço.” Aos 75 anos, Maria da Conceição Pereira Marques, ou apenas Dona Conceição, carrega há décadas o ofício de benzedeira. Moradora do Jardim D’Abril, em São Paulo, ela conta que descobriu o dom de benzer aos 28 anos, após uma experiência religiosa que interpretou como um chamado do anjo Gabriel. Por ocasião do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, o Nós, Mulheres da Periferia narra a origem histórica do benzimento, prática presente desde o período colonial, quando a falta de médicos e hospitais favoreceu a difusão de formas populares de cuidado. Quando perguntada sobre o que significa ser uma benzedeira, Dona Conceição responde: “O benzer é você querer bem ao ser humano. Isso já é uma maneira de rezar e de representar humildemente aquilo que Deus quer”.



