A candidatura de Ronaldo Caiado e o fenômeno da tadalafila entre jovens
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🔸Anunciado nesta segunda-feira como pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, governador de Goiás, prometeu anistiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) caso seja eleito. Ele afirmou que este será seu primeiro ato de governo. O Metrópoles mostra em vídeo o discurso do pré-candidato. “Ao anistiar todos, inclusive o ex-presidente, eu estarei dando uma amostra de que, a partir dali, eu vou cuidar das pessoas”, disse Caiado. A escolha de seu nome foi oficializada depois de disputas internas com os governadores Eduardo Leite e Ratinho Júnior, que desistiu da candidatura. O presidente do partido, Gilberto Kassab, afirmou que a decisão foi estratégica, com base nas chances de o governador chegar ao segundo turno.
🔸 Com forte ligação com o agronegócio, Caiado está na política desde os anos 1980. Foi o fundador e presidente da União Democrática Ruralista (UDR). O médico goiano disputou as eleições presidenciais pela primeira vez em 1989, a primeira com voto direto após a ditadura militar. Sua principal bandeira então era a rejeição à reforma agrária. O Nexo revê a trajetória do pré-candidato que já foi deputado federal por cinco mandatos, senador e, desde 2019, é governador de Goiás.
🔸 Já o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, pediu que os EUA “apliquem pressão” sobre o Brasil por eleições “baseadas em valores de origem americana”. “Chama a atenção a ausência da palavra ‘democracia’ no discurso de Flávio Bolsonaro. Nem uma só vez a palavra foi mencionada”, escreve Natalia Vianna, em coluna na Agência Pública. Ela afirma que a candidatura de Flávio é “uma sequência ao plano de Steve Bannon de colocar Eduardo Bolsonaro na Presidência do Brasil” e lembra que muitos capítulos dessa articulação ainda estão por vir – e podem incluir “desde a volta de tarifas, retaliações ou outras pressões feitas pelo Departamento de Estado, Comércio, Tesouro ou Justiça dos Estados Unidos, até outras ações pensadas desde os EUA para criar fatos políticos que vitimizem Bolsonaro e reforcem a ideia que o Brasil vive uma ditadura”.
🔸 Falando no clã… A defesa de Bolsonaro afirmou ao STF que ele não teve qualquer contato com Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e que cumpre “de forma rigorosa” as regras da prisão domiciliar. O Jota explica que a manifestação foi enviada depois que o ministro Alexandre de Moraes cobrou explicações sobre um vídeo em que Eduardo afirma, durante nos EUA, que estava gravando para mostrar ao pai – o que levantou suspeita de descumprimento da proibição de comunicação. Na ocasião, o deputado disse: “Vocês sabem por que eu estou fazendo esse vídeo? Porque eu estou mostrando para o meu pai e eu vou provar para todo mundo no Brasil que você não pode calar um movimento de forma injusta, tirando o seu líder, Jair Messias Bolsonaro. Muito obrigado”. Segundo a defesa, Bolsonaro só tomou conhecimento do episódio após a intimação do STF.
📮 Outras histórias
Uma das mais antigas e densamente habitadas de Florianópolis (SC), a comunidade do Morro do Mocotó abriga mais de oito mil moradores, marcados pela ausência de políticas públicas e pela violência policial. Lá, mulheres articulam iniciativas de cultura, educação e empreendedorismo para transformar esse cenário. O Catarinas mostra como projetos comunitários criam redes de apoio, fortalecem identidades e ampliam perspectivas de futuro. São histórias como a de Cristina Silva Bittencourt Antunes, educadora, coreógrafa e fundadora do Grupo Mittos, que atua há três décadas com atividades para crianças e jovens. Já o projeto Meninas de Fibra, idealizado por Alessandra Lima, oferece formação profissional na área da beleza, para promover a autonomia financeira de mulheres. “A gente vem desconstruindo a ideia de que no morro só tem violência. Somos uma comunidade cheia de histórias de acolhimento e redes de apoio”, diz Maria Eduarda Silva, mulher negra e mãe solo que foi aluna do Meninas de Fibra e hoje tem um salão no morro.
📌 Investigação
Sem alternativas de trabalho, garimpeiros artesanais de Kolwezi, a “capital mundial do cobalto”, na República Democrática do Congo, denunciam espancamentos e mordidas de cachorros promovidos por seguranças nas minas da Kamoto Copper Company (KCC). A empresa é uma produtora de cobre e cobalto e uma das fornecedoras Tesla, uma das principais fabricantes de carros elétricos do mundo, que pertence ao bilionário Elon Musk. A Alma Preta visitou Kolwezi e revela a situação dos trabalhadores. “Se você perceber aqui existem muitos jovens que não trabalham e que os pais trabalharam e ainda trabalham nas minas. A gente entra nas minas até determinada área, e se a gente vê os seguranças, a gente começa a correr”, relata Palmiers, garimpeiro que atua há nove anos na região. Eles se arriscam na busca por 30 ou 40 quilos de minérios, quantidade que pode ser vendida por valores entre 150 mil e 500 mil francos congoleses – R$ 349 a R$ 1.115 –, dinheiro que normalmente precisa ser dividido em três pessoas.
🍂 Meio ambiente
A 15ª Conferência da ONU sobre Espécies Migratórias (COP15) terminou no domingo com um número inédito de espécies incluídas nos Apêndices I e II, que representam nível máximo de proteção. Ao todo, 40 espécies, subespécies e populações foram incluídas ou reclassificadas, e 16 delas são observadas no Brasil, como a ariranha, o tubarão-raposa e o tubarão-martelo. O Conexão Planeta destaca que, durante o evento realizado em Campo Grande (MS), o presidente Lula assinou um decreto que amplia duas áreas de proteção no Pantanal: o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e a Estação Ecológica Taiamã. Também foi criada uma nova Unidade de Conservação no Cerrado, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas Gerais.
📙 Cultura
“Minhas primeiras ferramentas para decodificar a realidade foram montadas com a ditadura ao fundo. E a ditadura argentina foi muito cruel, mas também muito oculta: os desaparecimentos, o uso de casas em bairros como centros de tortura, a falta de documentação, os sequestros em plena noite, o roubo de crianças”, afirma a escritora argentina Mariana Enriquez. Em entrevista à Escotilha, ela revisita a própria obra. Com livros premiados e reconhecidos pelo mundo, como “Nossa Parte de Noite” e “Os Perigos de Fumar na Cama”, a autora usa o terror para tensionar temas relacionados à história, à violência social, à memória política e aos traumas do presente. “Acho que o terror é muito realista como gênero, embora trate de coisas impossíveis, de outra realidade, do fantasmagórico, do repulsivo.”
🎧 Podcast
Práticas degradantes como revistas vexatórias e restrição de acesso à água são parte da rotina violenta dos presídios brasileiros, onde a política de encarceramento em massa se encontra a marcadores de raça e classe. O Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura é responsável por fiscalizar unidades prisionais e socioeducativas, comunidades terapêuticas e outros espaços de privação de liberdade. O “Mariscada”, produção da Mangue Jornalismo, recebe Victória Cruz Moitinho, perita do órgão em Sergipe, para debater as deficiências do sistema prisional e da segurança pública no estado e compreender também os conceitos de desencarceramento e abolicionismo penal. Moitinho analisa a letalidade policial no estado e a crescente militarização das guardas municipais e questiona a eficácia do modelo de confronto.
👩🏾⚕️ Saúde
Remédio contra disfunção erétil, a tadalafila se tornou um fenômeno popular entre os jovens brasileiros. Em 2024, o medicamento havia sido o quinto genérico mais vendido no país, com mais de 65 milhões de unidades comercializadas, segundo a Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais. Já um estudo de 2021 com cerca de 800 pessoas que compraram a tadalafila em drogarias do Plano Piloto, em Brasília, revelou que 51% dos consumidores tinham entre 17 e 30 anos, faixa etária na qual a incidência da disfunção erétil é baixa. Amplamente pesquisada no Google, a tadalafila tem aparecido em músicas, vídeos nas redes sociais e conversa entre amigos. A revista piauí mergulha na “aura pop” do remédio. Apesar de especialistas alertarem que seu uso sem acompanhamento médico pode desencadear problemas de saúde, grande parte dos compradores não apresentam receituário médico. A automedicação é comum, pois qualquer um pode comprar a tadalafila nas farmácias, e nenhum usuário se vê no centro de uma crise de saúde pública.




