🔸 Flávio Bolsonaro (PL) destinou quase R$ 200 mil a uma ONG indicada pelo miliciano Robson Calixto Fonseca, o Peixe, condenado por integrar a organização criminosa dos irmãos Brazão, apontados como mandantes dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes. Mensagens obtidas pela revista piauí mostram que Peixe pediu a uma assessora do senador recursos para um projeto de futebol infantil na Taquara, área de atuação de milícias no Rio de Janeiro. “Amiga vê com o nosso Senador se consegue nos ajudar”, escreveu em outubro de 2023. No mês seguinte, o instituto recebeu R$ 199.999,79 de uma emenda de Flávio. Delator do caso Marielle, o ex-policial Ronnie Lessa afirmou que Peixe o apresentou aos irmãos Brazão e também providenciou a submetralhadora HK MP5 usada nas mortes da vereadora carioca e de seu motorista, em março de 2018. Peixe negou tudo, mas acabou condenado, em fevereiro passado, por agir como braço operacional da organização criminosa armada dos Brazão.
🔸 Daniel Vorcaro pediu que o empresário Flávio Carneiro mantivesse em segredo uma suposta reunião com Jair e Flávio Bolsonaro no fim de 2024. A CartaCapital teve acesso a mensagens que mostram que Carneiro, suspeito de ser sócio oculto do dono do Banco Master, perguntou em 8 de dezembro se ele iria a “um jantar com meu xará e com o pai dele”. No dia seguinte, Vorcaro retomou o assunto: “Cara. Não fala dessa reunião bolso pra ninguém. Esse negócio acaba comigo. Fábio já veio falar”. As mensagens não permitem saber se o encontro ocorreu. Investigadores do caso identificam o “xará” como Flávio Bolsonaro e o pai como o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo fontes ligadas à investigação, o “Thiago” que cobrava uma resposta sobre o jantar seria o publicitário e lobista Thiago Miranda, então sócio do Grupo Léo Dias de Comunicação.
🔸 Os planos dos candidatos à Presidência têm projetos opostos para mulheres, população negra e comunidade LGBTQIAPN+. Em análise na Gênero e Número, o cientista político Leonardo Xavier do Nascimento explora os documentos registrados no Tribunal Superior Eleitoral e compara as propostas dos presidenciáveis. Lula (PT) trata gênero e raça como eixos transversais do desenvolvimento e propõe manter as cotas, titular territórios quilombolas, fortalecer o enfrentamento ao feminicídio, consolidar a Política Nacional de Cuidados e ampliar políticas de saúde reprodutiva e inclusão LGBTQIAPN+. Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, defende a família tradicional e a “vida desde a concepção”, propõe reduzir a maioridade penal, abrir 500 mil vagas em presídios, restringir a participação esportiva ao sexo biológico e expandir escolas cívico-militares.
🔸 Discurso e projeto parecem desconexos na Bancada da Bala. Tema preferido dos parlamentares que a compõem, a segurança pública apareceu em apenas 23% das 2.428 proposições apresentadas pelos 43 deputados da bancada entre 2023 e 2026. Levantamento da Agência Pública identificou 558 projetos de lei, requerimentos, propostas de emenda à Constituição e outras iniciativas relacionadas ao tema. Apenas 11 parlamentares dedicaram à segurança mais da metade das propostas de seus mandatos. Entre eles estão Guilherme Derrite (PL-SP), Eduardo Bolsonaro (PL-SP), General Girão (PL-RN), Sargento Fahur (PL-PR) e Capitão Alden (PL-BA). Em números absolutos, o deputado que mais apresentou propostas sobre violência e segurança foi o general Eduardo Pazuello (PL-RJ), com 96 de suas 201 iniciativas, seguido por Nicoletti (PL-RR), com 39 de 115.
📮 Outras histórias
“Eu me senti uma Lady Gaga.” É assim que a artista circense Madona Show descreve a experiência de acompanhar o documentário “Mambembe” por festivais de cinema do país. Nascida no município potiguar de Paraná e moradora de Serra do Mel, ela cresceu dentro do circo e conheceu o diretor Fabio Meira durante uma temporada em Areia Branca, no Rio Grande do Norte. O encontro rendeu um convite para participar do filme, cujas primeiras cenas foram gravadas em 2010. Quase 16 anos depois, Madona foi procurada para concluir o projeto. “Eu nasci e me criei dentro de circo. Eu sou circense. A minha vida todinha foi dentro de circo”, afirma. A Saiba Mais narra a história de Madona e conta que ela mesma se apresenta como uma mulher que carrega orgulho de ter construído uma trajetória: “Sou uma pessoa com pouco estudo, mas com um nome muito grande e um coração enorme”.
📌 Investigação
Quase quatro décadas depois de entrar em operação, a hidrelétrica de Balbina ainda impõe fome, sede e falta de energia às dez comunidades que vivem às margens do rio Uatumã, em Balbina, a 200 km de Manaus. Construída durante a ditadura militar para abastecer a Zona Franca de Manaus, a usina inundou 3 mil km² de floresta e transformou antigos cumes em mais de 3,5 mil ilhas. O “elefante branco” da Amazônia, financiado com o equivalente hoje a R$ 20 bilhões, nunca alcançou a geração prevista: projetado para produzir 250 megawatts, entregou 110 em 2025. “Quando abriram as comportas, minha amiga, morreu tudo quanto foi peixe, passou seis anos para você ver uma piaba”, recorda Antônio Jorge Martins, o Carroça, 69 anos, fundador da comunidade São Jorge. O Joio e O Trigo mostra como a mortandade dos peixes e a contaminação da água destruíram a alimentação e o modo de vida das famílias, que ainda enfrentam apagões, falta de saneamento, erosão das margens e ausência de títulos de terra. Os danos já alcançam a quinta geração de atingidos e continuam sem reparação.
🍂 Meio ambiente
Evitar a degradação das florestas e combater o desmatamento são ações mais eficazes, no curto prazo, para conservar biodiversidade e carbono do que restaurar áreas já desmatadas. A conclusão está na revista “Science”, em estudo que comparou três estratégias em mais de 3 milhões de hectares de Paragominas e Santarém, no Pará, entre 2010 e 2020: evitar o desmatamento, impedir danos provocados por incêndios e extração de madeira e restaurar a vegetação. Segundo a Ambiental Media, o trabalho mostrou que conter a degradação teria evitado 68% das perdas de biodiversidade e 47% das perdas de carbono registradas no período. Impedir o desmatamento reduziria essas perdas em 28% e 61%, respectivamente. A combinação das três estratégias produziu o melhor resultado: ganhos líquidos de 22% na biodiversidade e de 42% nos estoques de carbono em relação aos níveis de 2010.
📙 Cultura
Jeans descartados pela indústria ganham novas formas nas mãos de Gui Amorim, estilista criado no bairro Fabril, em Cubatão, no litoral paulista. Fundador do Estúdio Traça, marca de upcycling criada em 2016, ele desmonta, recorta e reconstrói peças para produzir roupas autorais com volumes e silhuetas futuristas. Metais, ilhós e denim traduzem as memórias de uma infância cercada por estruturas industriais. “As minhas vivências e as paisagens da Baixada Santista são a base de tudo que eu crio”, conta ao Juicy Santos. Essas referências inspiraram Zanzalá, coleção apresentada em São Paulo neste mês. O nome vem da obra de ficção científica que o escritor cubatense Afonso Schmidt começou a publicar em 1928 e que imaginava uma sociedade cem anos no futuro. “Quero que as pessoas sintam esse encontro entre o passado e o futuro, percebendo que aquilo que já foi descartado ainda pode se transformar em algo potente”, explica o estilista.
🎧 Podcast
“Gente, é o Tarcísio da marreta do clubinho.” Foi o que pensou o roteirista Aurélio de Aragão no início de 2019 ao reconhecer, entre os ministros de Jair Bolsonaro, um antigo vizinho do Lago Norte, em Brasília. Na infância, Aurélio e outros meninos construíram num terreno baldio uma casinha onde guardavam gibis, sementes de mamona e revistas adultas roubadas dos pais. Após serem expulsos do grupo, os irmãos Tarcísio e Leandro teriam destruído o lugar. Quase 40 anos depois, Aurélio passou a questionar se podia confiar na própria memória e se o menino era mesmo Tarcísio de Freitas, então ministro de Infraestrutura de Bolsonaro e hoje governador de São Paulo. O “Rádio Novelo Apresenta”, produção da Rádio Novelo, procura antigos moradores da região para reconstituir o caso. Em tempo: a assessoria de Tarcísio afirma que o governador “confirma toda essa história”.
✊🏾 Direitos humanos
As redações de Theo, 14 anos, costumavam tomar uma tarde inteira, até começarem a ficar prontas em 20 minutos. Quando a mãe, Janaína Moura, perguntou o que havia mudado, ouviu: “Mãe, todo mundo na sala faz pelo ChatGPT. É só pedir para ele montar o texto e depois eu troco umas palavras pelo meu jeito, dá no mesmo que eu ter escrito”. O Lunetas explica como as respostas prontas da inteligência artificial podem comprometer o pensamento crítico, a capacidade de resolver problemas e a autoria dos estudantes. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, 65% das crianças e dos adolescentes de 9 a 17 anos usam IA generativa. Entre os alunos do ensino médio, sete em cada dez recorrem à tecnologia em pesquisas escolares, mas apenas 32% receberam alguma orientação sobre seu uso. Para o educador e psicopedagogo Emanoel Ceress, proibir a IA não resolve o problema: “A partir do momento em que se faz a proibição, nega-se mais um recurso de aprendizagem”. A saída, segundo ele, passa pela mediação, com o educador usando a ferramenta com o estudante para estimular a curiosidade, testar ideias e comparar o que a máquina diz com aquilo que a turma já construiu.



