🔸 O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) foi sócio indireto da Best Bet, casa de apostas ligada ao advogado Willer Tomaz. É o que revelam documentos obtidos pela revista piauí. A Polícia Federal pediu ao STF a abertura de um inquérito para investigar a suspeita de sociedade oculta. O elo passa pela Alcazar, empresa de Tomaz em cuja conta no Santander o senador figurava como “usuário máster”, com poderes para consultar movimentações e autorizar operações. A Alcazar e a Cathedral, controladora da Best Bet, têm o mesmo dono, administrador e endereço na Ilha da Madeira. Seus registros contábeis também apresentam movimentos compatíveis com um possível financiamento entre elas. A Best Bet recebeu licença da Loterj em 2023, durante o governo de Cláudio Castro (PL-RJ), em despacho assinado por um indicado de Flávio Bolsonaro à presidência da loteria estadual.
🔸 Aliás… a relação de Willer Tomaz e Flávio atravessa uma série de negócios escusos, com apostas, viagens internacionais e investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. A CartaCapital reúne revelações sobre os vínculos financeiros do advogado com o candidato à Presidência. Tomaz movimentou cerca de R$ 5 bilhões na Blaze em 2025. Segundo nota técnica do Ministério da Fazenda, o montante corresponde ao fluxo de apostas, depósitos e saques, e não a lucro: o advogado depositou mais de R$ 258 milhões e sacou cerca de R$ 200 milhões. A Fazenda identificou falhas nos mecanismos de prevenção à lavagem da operadora da Blaze. A Polícia Federal investiga aproximadamente R$ 1,4 bilhão em transações envolvendo Tomaz e a plataforma, sob suspeita de ocultação da origem ou do destino dos recursos. Ele também foi alvo da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em cobranças sobre aposentadorias e pensões do INSS.
🔸 O Comitê de Supervisão da Meta apontou falhas recorrentes na aplicação das regras de integridade eleitoral da empresa e cobrou transparência e consistência na moderação de conteúdo. Financiado pela companhia, mas com autonomia de decisão, o órgão reúne especialistas de diferentes países. Segundo o Mobile Time, no caso das restrições às contas do presidente Lula, o comitê identificou aplicação excessiva das políticas antifraude, uma “falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de especialistas em análise de conteúdo”. Em reunião com o TSE e representantes das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, na terça-feira, a Meta afirmou tratar os conteúdos de forma igual, mas admitiu “limitações técnicas” para cumprir uma das ordens da Corte. A campanha de Lula denunciou uma série de falhas, entre elas a distribuição seletiva de conteúdos de seu campo político.
🔸 A propósito: políticos têm rede ‘paralela’ na Meta sem declarar ao TSE. Flávio Bolsonaro tem ao menos sete perfis de apoio não declarados ao TSE que somam mais de 2,5 milhões de seguidores, revela a Agência Pública. Essas páginas divulgam seu número de urna, direcionam usuários a grupos oficiais e reproduzem conteúdos da campanha. A reportagem também identificou uma página de apoio criada por André Janones (Rede-MG), com 1,6 milhão de seguidores, não declarada nem pelo deputado nem por Lula (PT). O perfil divulga o canal de WhatsApp “Exército do Lula” e links para as contas oficiais. Entre os políticos com contas de apoio não declaradas encontrados pelo levantamento, 66% são do PL. Páginas espontâneas de apoiadores são permitidas e não precisam ser informadas ao TSE, mas não podem pagar para impulsionar conteúdo eleitoral.
🔸 Duas contas que usam mulheres criadas por inteligência artificial para vender conteúdo erótico publicaram 28 vídeos manipulados em apoio a Flávio Bolsonaro, com 47,7 milhões de visualizações no Instagram em outubro. A Lupa identificou os perfis, que somam mais de 1,7 milhão de seguidores e não avisam sobre o uso de IA. As personagens aparecem artificialmente em atos de campanha e ao lado do candidato, por vezes no lugar do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Os vídeos também circulam em grupos bolsonaristas e páginas de apoiadores, alguns apresentados como registros reais. O conteúdo político atrai usuários para assinaturas de material íntimo no Telegram, com preços entre R$ 9,90 e R$ 39,90, conforme o perfil e a modalidade.

📮 Outras histórias
A falta de água, luz e saneamento básico levou mulheres da Nova Holanda, uma das favelas do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, a se organizar por melhores condições de vida. Há 42 anos, essa mobilização deu origem à Chapa Rosa, grupo formado majoritariamente por mulheres que decidiu disputar a gestão da associação de moradores. O Maré de Notícias resgata essa história a partir das lembranças de participantes como Helena Edir Vicente, hoje com 76 anos e uma das diretoras e fundadoras da Redes da Maré. “A gente não tinha água, luz, saneamento básico… a gente não tinha nada”, lembra. O movimento enfrentou a ditadura e o forte controle do Estado sobre as favelas, com uma atuação independente para cobrar serviços públicos. “Além da repressão, nós éramos abandonados. E para conseguir as coisas nós fomos obrigados a enfrentar o governo à base de ‘paulada’. A gente batia de frente com eles”, diz Sebastião de Souza, 73 anos, integrante da Chapa Rosa desde sua criação.
📌 Investigação
Na Cachoeira do Aracá, em Barcelos (AM), o tuxaua Geovane Kepropopetele Yanomami e cerca de 40 indígenas ficaram sem votar no primeiro turno por falta de combustível: a viagem até a cidade exige quatro a cinco dias de barco. Barcelos, onde aproximadamente 75% da população é indígena, teve a maior abstenção da Amazônia Legal, de 36,7%. Segundo levantamento da Sumaúma, há urnas em apenas 232 dos 839 territórios. Mais de 70% das Terras Indígenas brasileiras não têm locais de votação e quatro dos dez locais com maior abstenção no país são indígenas. Existem ainda barreiras linguísticas e relatos de assédio eleitoral. Em Macapá (AP), Racela e Mirami Tiriyó, que não falam português e votariam pela primeira vez, foram impedidas de receber auxílio da parenta Mitore Tiriyó Kaxuyana como intérprete. “A gente é coletivo ainda, a gente se ajuda. A língua não pode ser impedimento, principalmente pra nós, povos originários”, afirma Mitore. Em Colíder (MT), profissionais do Distrito Sanitário Especial Indígena teriam pressionado jovens Mebêngôkre a apoiar Flávio Bolsonaro (PL).

🍂 Meio ambiente
Teresinha Matos precisa plantar o dobro de mudas para colher a mesma quantidade de alimentos. Na Horta Sabor da Vitória, em São Mateus, na zona leste de São Paulo, ela enfrenta perdas que aumentam o trabalho e os custos, mas mantém os preços para atender à comunidade. “Do começo do ano para cá, já plantamos vários produtos e ainda não acertamos. O produto não cresce. Tem que tirar antes do tempo, pequeno ainda, porque ele começa a queimar, não se desenvolve. É uma mudança assustadora”, conta. O Nós, Mulheres da Periferia ouviu agricultoras sobre os impactos da crise climática e as alternativas da agroecologia. A pesquisadora Helena Lopes coordenou um levantamento da Articulação Nacional de Agroecologia com 503 experiências. Delas, 56,3% tiveram redução da produção e 48,1%, perda. “As mudanças climáticas não são um problema que vai ser resolvido com intervenções tecnológicas. Elas afetam as pessoas de forma muito distinta. Muitas das saídas possíveis estão nos territórios e já estão em curso, inclusive, protagonizadas pelas próprias mulheres”, afirma Lopes.
📙 Cultura
A captação de recursos pela Lei Rouanet cresceu 84,5% no Norte e 60,7% no Nordeste entre 2023 e 2026, segundo dados do Ministério da Cultura. Os valores passaram de R$ 64,6 milhões para R$ 119 milhões no Norte e de R$ 148,5 milhões para R$ 238,7 milhões no Nordeste. No Centro-Oeste, o avanço foi de 98%. O Nonada mostra como programas especiais ajudam a enfrentar a concentração histórica dos investimentos no eixo Rio-São Paulo. Criados entre 2023 e 2025, Rouanet Norte, Favelas e Nordeste destinaram R$ 69 milhões a cerca de 277 projetos, com critérios territoriais e ações afirmativas para grupos pouco contemplados. Os avanços, porém, ainda são uma parcela pequena da Rouanet. “Se a gente somar a Rouanet Norte, Nordeste, Juventudes e Favelas, a gente tem algo próximo de R$80 milhões, que é um valor bem significativo, mas quando distribuído entre os territórios, é um valor pequeno, insuficiente”, pondera Allan Anjos, coordenador do Observatório Ibira 30, da periferia de São Paulo. Pesquisa do observatório mostrou que só 1,38% dos recursos captados na capital paulista chegaram à periferia, onde vive mais da metade da população.
🎧 Podcast
As restrições às contas de Lula e os testes em que a IA da Meta gerava imagens de Flávio Bolsonaro, mas recusava pedidos semelhantes para o presidente ganharam evidência às vésperas do segundo turno. O “Segue o Fio”, produção do Núcleo, debate as justificativas técnicas da empresa, que não eliminam os danos nem explicam a falta de preparação e a demora em corrigir os problemas. O protesto nesta semana diante da sede da Meta, em São Paulo, expressa uma insatisfação que ultrapassa as falhas eleitorais. A proximidade de bilionários da tecnologia com a extrema direita, a falta de transparência dos algoritmos, as demissões nas equipes de moderação e o lobby contra a regulação alimentam a desconfiança.

🙋🏾♀️ Raça e gênero
Os planos de governo de Lula e Flávio Bolsonaro apresentam propostas para as mulheres, mas não detalham como serão executadas e retomam políticas já existentes. A revista AzMina compara os documentos e aponta que o atual presidente aborda o tema em diferentes áreas, com medidas de saúde reprodutiva, igualdade salarial e combate às desigualdades. Entre as promessas estão ampliar creches, contraceptivos de longa duração pelo SUS, além de fortalecer ações de prevenção da mortalidade materna, com atenção às mulheres negras. Já Flávio Bolsonaro associa as mulheres à família e concentra propostas no combate à violência, como uma Central da Mulher com aplicativo e inteligência artificial para facilitar denúncias. A reportagem lembra que parte das iniciativas se assemelha à Casa da Mulher Brasileira, à Política Nacional de Cuidados e à prioridade habitacional para vítimas de violência já prevista no Minha Casa Minha Vida. O plano do senador não apresenta medidas específicas para mulheres negras, indígenas ou trans.
