O 'auxílio IA' para juízes e as pessoas trans no mercado de trabalho
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🔸 O ministro Dias Toffoli derrubou o sigilo dos depoimentos e da acareação do caso Master, realizados em 30 de dezembro de 2025. Foram ouvidos o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. Sob críticas pela condução do inquérito, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) quebrou o silêncio sobre o caso ontem. Segundo o Jota, Toffoli afirmou que só vai analisar a competência do STF no caso do Banco Master após o encerramento das investigações. O magistrado defendeu que as investigações seguiram os ritos processuais e justificou o sigilo, as oitivas no Supremo e a realização de diligências urgentes, afirmando ter identificado “absoluta necessidade” de ouvir dirigentes do Banco Central e presidentes de bancos envolvidos.
🔸 Tribunais de Justiça pelo país criaram uma espécie de “auxílio IA” para magistrados. Funciona como um reembolso pela compra de licenças de ferramentas de inteligência artificial, revela o Núcleo. No Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por exemplo, o ressarcimento pode chegar a R$ 400 mensais por licença, enquanto resoluções semelhantes foram identificadas em ao menos três Tribunais Regionais Eleitorais, com valores que variam entre R$ 150 e R$ 500. A reportagem não conseguiu identificar registros claros desses reembolsos nas rubricas de remuneração, o que levanta questionamentos sobre transparência e fiscalização. “Isso traz um componente de opacidade na prestação de contas sobre esses usos de IA que eles estão fazendo nos tribunais porque a gente não consegue saber nem ter a dimensão de quantos magistrados, por exemplo, estariam solicitando esse auxílio”, afirma a analista da Transparência Brasil, Bianca Berti.
🔸 Durante o recesso parlamentar, políticos usaram redes sociais para espalhar desinformação e manter suas bases mobilizadas. Levantamento da Lupa identificou ao menos 32 publicações falsas, difundidas entre 12 e 19 de janeiro por parlamentares de diferentes cargos e estados, que somaram 40,4 milhões de visualizações. As principais mentiras envolvem a falsa acusação de que o governo Lula pretende taxar e monitorar o Pix e trechos descontextualizados de discursos do presidente usados para atacá-lo. A estratégia foi liderada por políticos da extrema direita, como Nikolas Ferreira (PL-MG), com a repetição coordenada de conteúdos e narrativas semelhantes, mesmo após desmentidos oficiais da Receita Federal. Em tempo: o recesso parlamentar termina na segunda-feira.
🔸 Apenas 25% das pessoas trans estão inseridas no mercado de trabalho formal no Brasil. É o que mostra a pesquisa recém-lançada do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A Gênero e Número detalha o estudo e mostra que, entre as pessoas trans que conseguem acessar esse tipo de vínculo empregatício, a renda média é de R$ 2.707 – valor 32% inferior à média dos trabalhadores formais do país. Segundo a pesquisa, homens trans têm maior inserção que mulheres trans e travestis, e pessoas trans pretas e pardas recebem menos do que pessoas trans brancas e também menos do que trabalhadores negros da população geral. A reportagem, em parceria com a “Transmídia”, repercute os dados com Ravi Matos, cientista social, analista de projetos do Instituto Mais Diversidade, e Camilo Nunes, historiador, articulador da Casa de Acolhimento Neon Cunha. “O sistema em si é bem transfóbico, tanto na contratação, quanto na forma de se comunicar com a população trans”, afirma Nunes.
📮 Outras histórias
Jessica Sobral aprendeu a arte da trança com a avó, Dona Mizona, que trançava cabelos como forma de fortalecer a autoestima de pessoas negras. A própria Jessica enfrentou o racismo desde cedo e chegou a alisar o cabelo na adolescência. Em 2016, já na faculdade, iniciou a transição capilar e retomou as tranças. Hoje, aos 28 anos, ela é dona de um salão especializado em tranças, o Sobral Hair, no Centro de Vitória da Conquista (BA). O Conquista Repórter conta a história da trancista que também atua em escolas públicas, onde ministra oficinas sobre valorização dos cabelos crespos e cacheados, além de oferecer cursos para mulheres que buscam gerar renda. Em 2024, Jessica recebeu o Troféu Zumbi dos Palmares, da Câmara Municipal, por sua atuação antirracista. “Tudo que eu vivi foi aprendendo com minha avó. Olho para trás e penso: ‘Não acredito que estou aqui’. Isso é muito bom.”
📌 Investigação
Com imagens de uma mulher negra em situação de vulnerabilidade, o prefeito de Curitiba (PR), Eduardo Pimentel (PSD), apresenta nas redes sociais o novo protocolo municipal: a implementação da internação compulsória de pessoas que vivem nas ruas. O vídeo expondo o procedimento foi a publicação de maior engajamento do prefeito no Instagram neste ano. Até o dia 23 de janeiro, a postagem havia conquistado mais de 16,8 mil curtidas e rendido mais de 3,2 mil comentários. A revista piauí revela como a prefeitura da capital paranaense promove e espetaculariza a internação dessa população e destrincha como se formou uma bancada informal na Câmara de Vereadores para tratar do tema. Atualmente, tramitam na Casa pelo menos 15 projetos de lei de autoria de vereadores do grupo, com iniciativas que pretendem restringir direitos ou que podem impactar o dia a dia de pessoas em situação de rua, como o afrouxamento dos pré-requisitos para a internação sem consentimento.
🍂 Meio ambiente
A 1,2 km do empreendimento do Aeródromo Norte Fluminense – Heliporto do Açu, em São João da Barra (RJ), o Refúgio de Vida Silvestre da Lagoa do Taí foi ignorado pela licença de operação concedida pelo Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro. Segundo O Eco, o parecer técnico elaborado pelo Grupo de Defesa Ambiental (GDA) mostra que a unidade de proteção integral está na rota de pouso e decolagem dos helicópteros que operam no Aeródromo do Açu. Apesar de ser uma área ambientalmente sensível – que pode abrigar ou servir como área de descanso, alimentação e reprodução para espécies endêmicas e ameaçadas de extinção –, o órgão ambiental não pediu à Aeropart, empresa responsável pelo empreendimento, estudo sobre impactos dos voos para o refúgio. O GDA move agora uma ação civil pública contra o heliporto e argumenta que era tecnicamente viável incorporar a relevância ambiental da UC nas solicitações dos relatórios e estudos ambientais.
📙 Cultura
Em fotos: a fé católica e a ancestralidade africana se misturam na Marujada de Bragança por meio da música, dança, cores e rituais. As manifestações na cidade paraense acontecem em diferentes locais, com destaque para o Barracão da Marujada e para as procissões em terra e no rio Caeté, e acompanham a Festividade de São Benedito. Realizada todo ano em dezembro, a edição de 2025 contou com mais de 130 mil pessoas entre os dias 20 e 26. A Amazônia Latitude registrou o cortejo, em que marujos e marujas cumprem funções bem definidas, sob a liderança da capitã, e resgata a história da celebração, herança viva da presença negra na Amazônia. Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, a Marujada remonta também a uma estratégia de sobrevivência, organização coletiva, afirmação cultural e política no contexto da violência colonial.
🎧 Podcast
Os indicados ao Oscar 2026 coroam a relevância política e a crítica social nas produções, que abordam desde dramas históricos sobre o autoritarismo até as crises humanitárias contemporâneas. No “Cineclube Matinal”, produção da Matinal, os jornalistas Roger Lerina e Marcelo Perrone analisam a lista de obras que concorrem à estatueta, como o recorde de indicações de “Pecadores”, que mergulha na gênese do racismo nos Estados Unidos e a influência da música negra, e o destaque recebido pelo cinema brasileiro. Além de fazer uma previsão de vencedores em categorias como melhor direção e atuação, a dupla avalia também o desempenho de produções.
💆🏽♀️ Para ler no fim de semana
“Sustentabilidade é uma propriedade da vida, ou seja, é a capacidade que os sistemas vivos têm de se manter, se adaptar, se regenerar e evoluir ao longo do tempo sem destruir as condições que os sustentam. Quando a gente entende isso, tudo muda porque deixa de ser algo que ‘fazemos’ e passa a ser algo que somos ou não somos”, afirma Magda Maya, doutora em Desenvolvimento e Meio Ambiente e teórica da “sustentabilidade 4.0”, conceito que classifica a sustentabilidade. Em entrevista à Eco Nordeste, ela explica por que falar sobre o tema sem abordar a lógica do modelo de produção “é uma forma elegante de manter tudo como está, na superficialidade” e reflete sobre a necessidade de repensar as estruturas para “sustentar a vida”.




