O ataque de Milei ao STF e as cidades com mais eleitores que habitantes
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🔸 O governo brasileiro convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos depois do discurso do presidente argentino Javier Milei durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. O diplomata deve se reunir hoje com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Segundo o Metrópoles, o Itamaraty tratou as falas do presidente como uma ofensa. No evento, Milei criticou o socialismo, fez ataques à esquerda e chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “lixo careca” ao reclamar de ter sido impedido de visitar Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar, condenado por tentativa de golpe de Estado.
🔸 Na convenção, Flávio Bolsonaro tentou apresentar uma imagem moderada e sensível. Ele se emocionou ao assistir a um vídeo do pai, produzido com inteligência artificial, afirmou que tem “sangue de Bolsonaro”, mas disse que pode ser “mais calmo, sorridente, tranquilo e moderado”. A Agência Pública mostra que essa estratégia busca equilibrar a missão de representar o legado de Jair Bolsonaro com a tentativa de ampliar seu eleitorado. A mudança está relacionada ao desafio de conquistar mulheres e evangélicos. Pesquisa Datafolha mostra que o presidente Lula (PT) venceria Flávio por 52% a 37% entre o eleitorado feminino. Para reduzir essa desvantagem, a campanha deu protagonismo à companheira do candidato, Fernanda Bolsonaro, e trabalhou para reaproximá-lo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, depois dos recentes desentendimentos públicos. A estratégia, porém, esbarra no histórico do senador. Flávio já chamou a Lei Maria da Penha de “apenas um pedaço de papel”, posicionou-se contra a lei de igualdade salarial entre homens e mulheres e articulou o adiamento do projeto que criminaliza a misoginia.
🔸 O vídeo de Jair Bolsonaro produzido com IA, aliás, pode gerar questionamentos em duas frentes jurídicas, segundo a CartaCapital. A primeira envolve as regras da Justiça Eleitoral, que proíbem o uso de conteúdos sintéticos, ou deepfakes, para favorecer ou prejudicar candidaturas. A segunda diz respeito às restrições impostas ao ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar e está proibido de utilizar meios indiretos para manifestações político-eleitorais. A reportagem lembra que o vídeo informava, antes da mensagem, tratar-se de uma simulação feita por inteligência artificial. Ainda assim, a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) veda o uso de áudios e vídeos sintéticos que criem ou alterem a imagem ou a voz de pessoas, prevendo que a prática pode configurar abuso do poder político e uso indevido dos meios de comunicação.
🔸 As declarações de Flávio Bolsonaro sobre supostas fraudes nas urnas eletrônicas provocaram um pico de alcance e de volume de publicações sobre fraude eleitoral nas redes sociais. A Agência Lupa mostra que as menções ao tema atingiram o maior nível dos últimos seis meses após o senador afirmar, falsamente, que as urnas brasileiras teriam a mesma origem das máquinas da Smartmatic, citada em um relatório da CIA sobre as eleições da Venezuela. A reportagem destaca que a empresa nunca desenvolveu as urnas eletrônicas brasileiras e que o próprio relatório da CIA não confirma fraude eletrônica na Venezuela nem atribui à empresa capacidade para manipular eleições fora do país.
📮 Outras histórias
Aos 7 anos, depois de ver uma cobra às margens de um igarapé no interior do Pará, Dona Cléia passou a ter visões que sua avó, curandeira, interpretou como um chamado para a menina trabalhar com os encantados. Hoje, aos 65 anos, a zeladora de santo conta à Amazônia Latitude que dedica a vida às práticas de cura aprendidas desde a infância e lamenta o enfraquecimento dos saberes tradicionais ligados às águas e à floresta. Dona Cléia explica que prefere ser chamada de zeladora de santo porque, na tradição em que foi criada, os curadores não eram conhecidos como pais ou mães de santo. “Eu respeito todos os credos como funcionam na casa deles. Mas na minha casa, na casa do meu pai, que eu sou zeladora, não existe nem mãe nem pai de santo”, diz. Para ela, “a espiritualidade é parceria, é amor, é caráter”. “É vivenciar”, completa.
📌 Investigação
Em 733 municípios do país, o número de eleitores supera o de habitantes. A partir do cruzamento de dados divulgados pelo TSE com estimativas populacionais de 2025 do IBGE, a Agência Tatu identificou que o Nordeste concentra 279 desses municípios, cerca de 38% do total nacional. A região reúne 43,5 milhões de eleitores – 27,5% do eleitorado brasileiro – e o Piauí lidera em número de cidades nessa situação, com 76. Segundo a cientista política Luciana Santana, a diferença entre o número de eleitores e habitantes merece observação, já que reflete transformações demográficas, movimentos migratórios e a forma como os vínculos eleitorais são estabelecidos no Brasil. “Esse fenômeno pode produzir alguns efeitos relevantes. Em municípios pequenos, poucos votos podem definir uma eleição, de modo que um contingente expressivo de eleitores que não reside cotidianamente na cidade pode alterar a dinâmica da competição eleitoral”, explica.
🍂 Meio ambiente
O Brasil se tornou o 18º país do mundo a proibir a produção e a comercialização de alimentos obtidos por alimentação forçada de animais, como o foie gras. É o primeiro país da América Latina a adotar uma proibição desse alcance, destaca o Conexão Planeta. A nova legislação prevê detenção de três meses a um ano, multa e outras sanções administrativas para infratores. O foie gras é produzido a partir da alimentação forçada de patos e gansos por meio da técnica conhecida como gavage, que provoca esteatose hepática para aumentar o fígado das aves. “Milhões de patos e gansos no mundo sofrem para que esse alimento ‘luxuoso’ chegue aos pratos de poucos consumidores”, afirma Carla Letieri, diretora da Animal Equality. Segundo a organização de proteção animal PETA, como o foie gras é produzido apenas com fígados de machos, cerca de 40 milhões de fêmeas são descartadas vivas todos os anos na França por não terem utilidade para a indústria.
📙 Cultura
Mulheres negras participam da construção do hip-hop desde os anos 1980, mas foi apenas nos últimos anos que elas passaram a ocupar mais amplamente espaços de destaque no gênero. A Alma Preta conversa com a artista Negra Li e a pesquisadora Nerie Bento sobre esse movimento. Uma das pioneiras dessa história, criada na Brasilândia, na zona norte de São Paulo, Negra Li iniciou a carreira aos 16 anos. “Quando comecei, quase não existiam mulheres ocupando esse lugar. Hoje, vejo meninas se reconhecendo em outras artistas e entendendo que também podem escrever suas histórias. Isso é muito poderoso”, ressalta. Nerie Bento lembra que as redes sociais permitiram que artistas construíssem suas próprias comunidades sem depender da validação masculina. Ela destaca ainda que a atual geração mantém uma relação de continuidade com as pioneiras do rap brasileiro. “É quase um movimento de Sankofa. As artistas de hoje conseguem se consolidar porque as mulheres que vieram antes desafiaram a ideia de que o rap era exclusivamente masculino”, afirma Bento.
🎧 Podcast
Por muitos anos, a psicóloga Marcela Mansur, professora e pesquisadora da UFMG, diz ter encarado a autocobrança como uma “força motriz” para alcançar seus objetivos, até perceber que isso a levava à exaustão, à ansiedade e ao medo constante de fracassar. “Hoje eu sou uma perfeccionista em recuperação”, afirma. A “Rádio Escafandro”, produção da Rádio Guarda-Chuva, mergulha no perfeccionismo e explica por que pesquisadores passaram a tratá-lo como um traço de personalidade associado ao sofrimento psíquico, e não como uma virtude. O episódio conversa ainda com o autor do livro “Ninguém é perfeito”, do jornalista, cientista social e professor da Faculdade Cásper Líbero Luiz Mauro Sá Martino. Ele explica como a ideia de perfeição mudou ao longo do tempo, o papel das redes sociais na busca por validação e sua relação com ansiedade, depressão e esgotamento.
🧑🏽⚕️ Saúde
Pelo terceiro ano seguido, o número de pessoas que passam fome no mundo caiu, mas o custo de uma alimentação saudável segue aumentando. Dados do novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que o valor médio de uma dieta saudável passou de 2,94 dólares em poder de paridade de compra (dólares PPC) em 2017 e atualmente está estimado em 4,28 dólares PPC. O Joio e O Trigo destaca que mulheres e crianças seguem entre os grupos mais vulneráveis. Apenas 30,8% das crianças de 6 a 23 meses têm uma alimentação minimamente diversificada, e cerca de 30% das mulheres entre 15 e 49 anos sofrem de anemia. “A dificuldade de comprar uma dieta diversificada te leva para consumo de ultraprocessados, que colocam um prognóstico terrível para essas crianças, não só de obesidade, mas de doenças crônicas”, explica Elisabetta Recine, atual presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).



