A Argentina na final da Copa e os 10 anos da campanha 'Agro é pop'
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🔸 O presidente Lula (PT) ampliou, pelo segundo mês consecutivo, a vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno das eleições presidenciais, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem. O Sul21 mostra que Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 37% de Flávio, que registra queda pelo terceiro mês consecutivo – em abril, tinha 42%. No cenário de primeiro turno, Lula soma 40% e Flávio, 28%. Já outros candidatos, como Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), não ultrapassam 5%. A melhora do desempenho de Lula acompanha a recuperação da avaliação do governo, que alcançou saldo positivo pela primeira vez desde dezembro de 2024, com 48% de aprovação e 47% de desaprovação entre os entrevistados.
🔸 Falando em eleições… o pleito deste ano tem o maior contingente de eleitores idosos da história do país. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 36,8 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais estão aptos a votar neste ano, o equivalente a 23% do eleitorado. Em relação a 2010, esse grupo cresceu 74%, impulsionado pelo envelhecimento da população. Apesar do aumento, como mostra o Notícia Preta, a elevada abstenção entre eleitores com mais de 70 anos – faixa em que o voto é facultativo – ainda preocupa. Nas eleições de 2022, cerca de 8 milhões de idosos deixaram de votar, o equivalente a quase 60% desse grupo.
🔸 A atuação decisiva de Lionel Messi, a postura defensiva da Inglaterra no segundo tempo e a força da torcida argentina. Os três elementos levaram à classificação da Argentina para a final da Copa do Mundo ontem, avalia Paula Almeida, em coluna no Terra. “Messi faz nos Estados Unidos a melhor de suas cinco Copas. Foram dele oito dos 19 gols dos sul-americanos. De seus pés saíram três assistências, incluindo uma de hoje no jogo contra a covarde Inglaterra”, afirma. Ela também destaca o peso simbólico do confronto, marcado pela “rivalidade entre os dois países dentro e fora de campo, por Maradona e pelas Malvinas” e diz que a seleção argentina chega fortalecida à decisão contra a Espanha, marcada para domingo.
🔸 A defesa de Jair Bolsonaro (PL) afirmou que ele “jamais soube” que a carta em apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seria divulgada nas redes sociais. A manifestação responde ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que pediu explicações sobre a suposta violação de medidas cautelares por Bolsonaro após a veiculação da carta. O Metrópoles informa que, segundo a defesa do ex-presidente, a decisão de publicar o documento foi tomada por Flávio, sem conhecimento ou combinação prévia com o pai.
🔸 A propósito: qual é o impacto eleitoral da decisão de Moraes de proibir as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai? Entre especialistas ouvidos pelo Nexo, há um consenso de que a restrição vai ajudar a manter a base bolsonarista engajada na narrativa sobre perseguição, mas seus efeitos não vão muito além. “Essa questão da perseguição é um tópico que pega no eleitor fiel, que chamamos de bolsonarista convicto. Quando olhamos para pessoas em uma direita moderada ou entre os indecisos, essa ideia não é tão forte. Nesse eleitor, não ativa esse sentimento”, afirma a cientista política Carolina de Paula, pesquisadora do Iesp/Uerj.
📮 Outras histórias
Criado em 2012 como espaço de preservação ambiental e lazer, o Parque Ecológico da Rocinha se tornou um retrato do abandono. Hoje, a área convive com lixo, equipamentos danificados, falta de iluminação, ocupações irregulares e insegurança. O Voz das Comunidades lembra que o parque carrega ainda uma memória trágica: foi o último lugar onde o pedreiro Amarildo Dias de Souza foi visto antes de desaparecer, em 2013, após ser levado por policiais. Para moradores, a falta de respostas impede que a comunidade ressignifique a área de forma plena. Além disso, falta gestão. Governo estadual e municipal empurram a responsabilidade um para o outro. “Não existe um plano de manejo porque não existe responsável”, afirma Victoria Ferreira, do grupo Amigos do Parque Ecológico (APER). Desde 2021, a organização promove mutirões de limpeza, revitaliza áreas infantis, produz grafites e organiza atividades culturais, mas enfrenta dificuldades para manter o trabalho sem apoio institucional.
📌 Investigação
Embora não tenha alterado o direito ao aborto legal em casos de estupro, a derrubada da Resolução 258 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), aprovada pelo Senado em junho, eliminou diretrizes que organizavam o atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. O Catarinas destrincha as consequências concretas da decisão e recupera o contexto que levou à elaboração da resolução, marcado por episódios de grande repercussão nacional em que meninas tiveram seus direitos negados. “O debate não pode ser reduzido a disputas ideológicas. O que está em questão é a capacidade do Estado de garantir proteção, cuidado e acesso a direitos para crianças e adolescentes submetidas a situações extremas de violência”, destaca Lia Manso, consultora em incidência política da ONG Criola. A reportagem lembra ainda que a suspensão da resolução integra uma ofensiva mais ampla contra o Conanda e outros mecanismos de participação social.
🍂 Meio ambiente
Uma lembrança de infância levou à descoberta de uma nova espécie de peixe na Caatinga cearense. Ao reconhecer, em uma página de divulgação científica, peixes semelhantes aos que via quando criança em Penaforte (CE), o farmacêutico Kayque Fernando Alencar Ferreira entrou em contato com pesquisadores e voltou ao local para fotografá-los. O Eco conta que a imagem motivou uma expedição científica que confirmou a existência de uma espécie até então desconhecida, batizada de Cynolebias penaforte, em homenagem ao município onde foi encontrada. O novo peixe vive em uma única poça temporária às margens da BR-116, próxima ao canal da transposição do Rio São Francisco. Como não foi localizado em outras áreas pesquisadas e seu habitat já sofre impactos de intervenções humanas, os cientistas defendem que a espécie seja classificada como criticamente ameaçada de extinção.
📙 Cultura
Para povos indígenas e quilombolas da Caatinga, alimentos como umbu, mandioca, milho e abóbora carregam mais que valor nutricional: preservam memórias, modos de vida e conhecimentos transmitidos entre gerações. “O preparo não é só comida: é história de família, é a ligação com os mais velhos e com o território”, diz a professora quilombola Aparecida Nascimento Oliveira. O Nonada explica que esse patrimônio alimentar está nas sementes crioulas, nas roças, nos quintais produtivos, nas casas de farinha, nos frutos nativos e na forma de preparar os alimentos. “A discussão também passa pela cultura, porque entendemos que ela é fundamental para transformar os espaços e reafirmar esse vínculo. As pessoas escolhem viver neste lugar porque têm pertencimento e uma relação profunda com a cultura popular”, afirma Carlos Magno, da coordenação do Centro Sabiá, organização que, desde 1993, atua em Pernambuco na promoção da agroecologia e no fortalecimento da agricultura familiar no semiárido.
🎧 Podcast
O slogan “O Agro é pop” completa dez anos agora. Era a frase forte da campanha “Agro, a indústria-riqueza do Brasil”, da TV Globo, decisiva para consolidar uma imagem positiva do agronegócio e fortalecer sua legitimidade no imaginário nacional. O “Prato Cheio”, produção d’O Joio e O Trigo, mostra como a campanha transformou “agro” em uma marca capaz de reunir diferentes cadeias produtivas e aproximar o setor do cotidiano dos brasileiros, ao mesmo tempo em que deixava em segundo plano conflitos ligados ao campo, como desmatamento, grilagem e violência rural. A partir de entrevistas com pesquisadores e representantes do próprio agronegócio, o episódio discute como essa estratégia contribuiu para consolidar uma narrativa de valorização do setor e fortalecer sua legitimidade perante a opinião pública.
✊🏾 Direitos humanos
“Trancar adolescentes em masmorras comuns não inibe o crime; apenas acelera seu engajamento em facções armadas”, escreve Roberto Uchôa de Oliveira Santos, doutorando no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, policial federal licenciado no Brasil e conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em artigo no Le Monde Diplomatique Brasil, ele analisa a aprovação, pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, da PEC que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal em casos de crimes graves. Para Santos, a medida ignora o funcionamento do sistema prisional brasileiro, controlado por facções. Em vez da redução da maioridade penal, ele propõe uma reforma do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que amplie o tempo de internação para atos infracionais graves, mantendo os jovens em unidades socioeducativas separadas do sistema prisional comum.



