A aprovação do fim da escala 6x1 e a internet nas aldeias indígenas
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🔸 A Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos a PEC que acaba com escala 6x1. A proposta, que reduz a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, teve 472 votos favoráveis e 22 contrários no primeiro turno. Na segunda votação, foram 461 a favor e 19 contra. Principal item na agenda legislativa do governo para 2026, o fim da escala de trabalho 6x1 recebeu amplo apoio em Plenário por parte de deputados da base aliada, que defendeu a proposta como forma de fortalecimento dos direitos trabalhistas. Todos os partidos orientaram o voto favorável à proposta, com exceção do Novo e Missão. O Congresso em Foco explica que o texto estabelece a implementação gradual da nova jornada. Após 60 dias da promulgação, a carga horária cairá para 42 horas semanais e, um ano depois, para 40 horas. A PEC também permite escalas flexíveis em áreas essenciais, como saúde e segurança pública, e abre espaço para negociações específicas em categorias consideradas “hipersuficientes”.
🔸Aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmam que ele deve ter “boa vontade” na tramitação da PEC na Casa. Segundo o Metrópoles, Alcolumbre pretende ouvir parlamentares e setores envolvidos no debate. Na terça-feira, ele se reuniu com representantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para discutir o tema. Mesmo após o desgaste entre governo Lula e Senado por causa da derrota de Jorge Messias, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que Alcolumbre não deve criar obstáculos à PEC.
🔸 O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e a produtora Go Up Entertainment tentaram usar uma empresa com atuação na Hungria e na Holanda para intermediar pagamentos do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL). Documentos obtidos pela Agência Pública revelam a existência de uma minuta de contrato que previa o uso de uma “conta escrow” (ou “conta de custódia”) para movimentar recursos e permitir que investidores permanecessem anônimos. Esse tipo de conta funciona como uma intermediária financeira em negociações: o dinheiro fica temporariamente retido por uma terceira parte e só é liberado após autorização do pagador ou cumprimento de condições acordadas. Segundo especialistas, a estrutura financeira usada nas negociações é um “sinal de alerta” para possíveis tentativas de ocultar a origem dos recursos e a identidade dos financiadores.
🔸 Falando nele… Eduardo Bolsonaro mora em uma mansão avaliada em mais de R$ 6 milhões em Southlake, no Texas, uma das regiões mais ricas dos Estados Unidos. O imóvel, com quatro quartos, piscina e acesso a clube privado, chegou a ser anunciado para aluguel por cerca de R$ 30 mil mensais até fevereiro deste ano. O luxo exibido pela mansão levanta dúvidas sobre como o ex-deputado se mantém nos EUA desde que se mudou para o país, em fevereiro de 2025. O Intercept Brasil destaca que ele afirma viver de aluguel e diz enfrentar dificuldades financeiras, apesar de ter recebido R$ 2 milhões em uma campanha de arrecadação feita por Jair Bolsonaro em 2025. Na última declaração ao TSE, em 2022, Eduardo informou patrimônio de R$ 1,76 milhão. A reportagem lembra ainda que a Polícia Federal já investiga se o ex-deputado está sendo bancado com o dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro.
🔸 O Brasil registrou em 2024 o menor número de homicídios em 26 anos: foram 42.590 assassinatos, uma queda de 29,6% em relação a 2014. O Atlas da Violência, porém, aponta que a redução ocorreu de forma desigual entre regiões e grupos raciais. A Ponte ressalta que a violência letal segue mais intensa entre pessoas negras. Em 2024, a taxa de homicídios entre negros foi de 27,3 casos por 100 mil habitantes, quase três vezes maior que a de não negros, de 10,1. Os estados com piores índices seguem concentrados no Norte e Nordeste. “Ao analisarmos os dados de violência contra pessoas negras, estamos diante não apenas de uma desigualdade de resultados, mas de uma estrutura persistente que produz e reproduz assimetrias de valor social entre negros e não negros”, afirmam os autores do Atlas.
📮 Outras histórias
Conhecido como Pantera Negra, o curitibano Yabna N’Tchalá venceu em 2025 o PFL Africa, principal torneio africano de MMA, mas ainda enfrenta dificuldades para viver do esporte. Sem patrocinadores, o lutador intercala os treinos com bicos como segurança, bartender e carregador de equipamentos para conseguir manter a rotina de preparação. A revista piauí narra a história do filho de um guineense com uma brasileira. N’Tchalá cresceu no bairro periférico do Tatuquara, em Curitiba, e conta que sofreu racismo desde a infância. Parte da minoria negra da capital paranaense, ele diz que o preconceito ajuda a explicar a falta de apoio institucional e financeiro mesmo após conquistar um título continental. “Nós estamos acostumados a não precisar. A não esperar favor”, afirma.
📌 Investigação
Considerado o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul, o empreendimento chamado de “Projeto Natureza” pertence à multinacional chilena CMPC Celulose. A empresa, que pretende instalar a nova planta industrial em Barra do Ribeiro, às margens do Guaíba, já responde por 21 processos por infrações ambientais constatadas pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental, revela o Matinal. Em um dos casos, em Encruzilhada do Sul, o órgão aponta que “a empresa descumpriu praticamente todas as condicionantes relativas às adequações dos passivos ambientais”. Somente três processos foram encerrados até o momento, com o pagamento de R$ 34,5 mil em multas. A previsão é de que o novo complexo despeje 242 milhões de litros de efluentes por dia no Guaíba, quantidade superior aos efluentes gerados pela população de Porto Alegre, e aumente também as plantações de eucalipto no Pampa.
🍂 Meio ambiente
O desmatamento no país teve redução em todos os biomas em 2025. Foram 984.794 hectares de vegetação nativa desmatados no ano passado. Pela primeira vez desde 2019, o número ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano. É o que mostram os dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD), da plataforma MapBiomas, divulgados ontem. Ao todo, a redução foi de 20,6% em relação a 2024. O #Colabora destaca que a Amazônia e o Cerrado somaram 84% da área desmatada no país. O Cerrado sozinho representou 54,9% do desmatamento do país, mesmo diante da queda de 16,9%. A pressão sobre o bioma acontece sobretudo nos estados do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). A expansão da agropecuária segue como a principal responsável pelo desmate, correspondendo a 99% da vegetação nativa perdida no Brasil em 2025.
📙 Cultura
“Muitas vezes, a foto vem antes do clique. A verdade é que tentamos colocar, em uma fração de segundo, algo que não está sob nosso controle. E, quando conseguimos, é aquilo que fica para sempre”, afirma a fotógrafa alagoana Carol Rox. Com 15 anos de profissão, ela começou a trajetória fotografando shows, mas foi nos vínculos humanos que fez sua carreira, dedicando-se a registrar eventos de famílias, casamentos e gestações, conta a Revista Alagoana. “Trabalhar com casais e famílias traz as nuances das relações humanas de uma forma mais acolhedora e complexa”, diz. “Quando saio pra fotografar, levo comigo tudo que vivi, as referências que aprendi, o amor que sinto pelos meus pais, pela minha família e isso me permite registrar não só com a técnica, mas também com a emoção.”
🎧 Podcast
A cidade de Minaçu, em Goiás, foi construída para a exploração de amianto, um grupo de fibras minerais, na década de 1960, e desde então é controlada pela mineradora Sama. Mesmo após o amianto ser proibido no país, em 2017, por seu alto grau de toxicidade, a empresa continua operando por meio de decretos estaduais. A “Rádio Escafandro”, produção da Rádio Guarda-Chuva, narra a história de uma das principais ativistas pela proibição do mineral, a fiscal do trabalho aposentada Fernanda Giannasi, e mostra como, apesar do banimento, a Sama acumulou tamanho poder local – entrelaçando poder econômico e político – para continuar minerando um produto cancerígeno.
👩🏽💻 Tecnologia
Embora o acesso à internet em aldeias indígenas tenha tido efeitos positivos na comunicação com familiares em áreas urbanas ou outras aldeias e no acesso a serviços essenciais, também gerou problemas como hiperestimulação, aumento do tempo de exposição às telas e alterações comportamentais. No Conversation Brasil, os pesquisadores Higor Leite, Alison M. Joubert e Amelie Burgess acompanharam os efeitos da digitalização em comunidades indígenas da Amazônia e alertam para o risco de uma “colonização digital indígena”. “Há relatos de moradores que passam a inverter seus ciclos de sono, trocando o dia pela noite, e priorizando o tempo online em detrimento de atividades comunitárias tradicionais, como caça, pesca e práticas culturais”, afirmam. “Também ouvi relatos de tentativas de aliciamento, especialmente de mulheres, com promessas de uma vida melhor fora da aldeia, em áreas urbanas. Esses episódios evidenciam não apenas os riscos diretos da conectividade, mas também a assimetria de preparo para lidar com o ambiente digital.”




