O alerta da estreia brasileira na Copa e o uso recorde de IA no Mundial
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🔸A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 deixou mais dúvidas do que certezas. O empate em 1 a 1 com o Marrocos expôs dificuldades da equipe de Carlo Ancelotti para controlar o meio-campo, criar oportunidades e definir uma formação ideal. O Esporte News Mundo analisa a primeira partida do Brasil na Copa e destaca que os marroquinos foram superiores na maior parte do primeiro tempo. Depois de um erro de Lucas Paquetá, o Marrocos abriu o placar e, embora o Brasil tenha empatado com um gol de Vini Jr., a seleção seguiu sem convencer. O técnico Carlo Ancelotti foi questionado por deixar no banco jogadores como Endrick e Rayan, que se destacaram nos amistosos. O resultado acende um sinal de alerta: a equipe ainda não encontrou seu melhor esquema tático nem uma formação titular consolidada.
🔸 A transmissão de Brasil x Marrocos pelo canal de YouTube CazéTV quebrou o recorde mundial de audiência simultânea na plataforma. A live alcançou 12,3 milhões de espectadores ao mesmo tempo e superou o recorde anterior, de 8 milhões, registrado pela transmissão da missão espacial indiana Chandrayaan-3 em 2023, segundo levantamento do site Playboard, que compila dados de lives do YouTube. O Notícias da TV atribui o resultado ao investimento da CazéTV nos direitos de transmissão da Copa de 2026. O canal é o único com autorização para exibir todas as 104 partidas do torneio disputado nos Estados Unidos, México e Canadá. Em comparação, a Globo transmitirá 55 jogos, e a parceria entre SBT e N Sports exibirá 32 confrontos.
🔸 Foram semanas de debates sobre a falta de “clima de Copa” até que ruas de periferias da capital paulista e da Grande São Paulo voltaram a ser pintadas de verde e amarelo, já às vésperas do Mundial de 2026. Em bairros de cidades como Ferraz de Vasconcelos, Osasco, São Mateus, Guarulhos, Diadema, Guaianases, Grajaú e Poá, as pessoas organizaram mutirões para decorar ruas, muitas vezes financiadas por vaquinhas ou doações de tinta. A Agência Mural ouviu moradores para entender como surgiu a vontade de pintar o hexa e conta que a mobilização foi impulsionada por diferentes fatores: nostalgia das Copas anteriores, expectativa em torno de Neymar, apoio de empresas de tinta e, principalmente, o desejo de reunir comunidades em torno de uma atividade coletiva. “O brasileiro se encontra muito triste. Tem muita dificuldade e muita coisa acontecendo no dia a dia. Quando a gente chega em uma rua enfeitada, com uma vibe lá em cima, consegue renovar essa energia”, diz o barbeiro e cantor Emerson Simplicio Santos, 30 anos, morador de São Mateus, na zona leste de São Paulo.
🔸 Para lembrar: quando o Brasil conquistou sua primeira Copa do Mundo, em 1958, os holofotes se voltaram para o jovem Pelé. Mas um dos personagens centrais daquela campanha foi o meio-campista Waldyr Pereira, o Didi, responsável por organizar o jogo da Seleção e liderar uma equipe que ainda carregava o trauma da derrota para o Uruguai em 1950. A Alma Preta resgata a trajetória do atleta nascido em Campos dos Goytacazes (RJ) e que chegou à Copa da Suécia como um dos jogadores mais experientes do elenco. Como articulador do meio-campo, era ele quem controlava o ritmo das partidas e conectava defesa e ataque. Seu desempenho foi tão decisivo que lhe rendeu o prêmio de melhor jogador do Mundial conquistado pelo Brasil.
🔸 Integrantes do PT avaliam retomar a campanha “Congresso inimigo do povo” caso o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), continue sem avançar com a PEC que extingue a escala de trabalho 6x1. Segundo a CartaCapital, a discussão ainda é preliminar, mas ganhou força diante da percepção de que Alcolumbre não pretende acelerar a tramitação da proposta, considerada prioritária pelo presidente Lula (PT). O mal-estar entre PT e Senado se agravou após a aprovação de medidas de impacto fiscal defendidas pelos senadores, mas rejeitadas pelo Palácio do Planalto – entre elas está uma linha especial de crédito rural com custo estimado em R$ 140 bilhões ao longo de 13 anos. A demora na tramitação da PEC também está ligada ao desgaste na relação entre Lula e Alcolumbre. O texto aprovado pela Câmara ainda não foi enviado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Em paralelo, interlocutores do governo tentam reconstruir pontes entre o Planalto e o presidente da Casa.
🔸 O PL marcou data para oficializar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ) à Presidência. Será na convenção nacional do partido, em 25 de julho, em São Paulo. A escolha da capital paulista rompe com a tradição da família Bolsonaro, que lançou as candidaturas de Jair Bolsonaro (PL) ao Planalto no Rio de Janeiro. O Antagonista explica que a decisão leva em conta o peso eleitoral de São Paulo e a avaliação de que o estado concentra um dos principais palanques da campanha. O lançamento, porém, ocorre em momento desfavorável. Levantamento Genial/Quaest divulgado na semana passada mostrou o presidente Lula com 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 38% de Flávio Bolsonaro.
📮 Outras histórias
Aos 29 anos, o rapper ManoR7, nome artístico de Mateus Ribas da Silva, desponta como uma das novas apostas do rap carioca. Morador da Rocinha, comunidade na zona sul do Rio de Janeiro, ele ganhou visibilidade nas redes sociais depois do sucesso da música “Desculpa” e chamou a atenção da produtora Bairro13, que passou a gerir sua carreira. O Fala Roça conta que a trajetória do artista é marcada pela influência musical da própria família. Criado entre músicos no Laboriaux e na Rua 3, na Rocinha, ManoR7 cresceu ouvindo estilos que vão do soul e gospel ao R&B e à MPB, referências que hoje aparecem em suas composições. O nome artístico também remete à história familiar dele: o “R” vem do sobrenome Ribas e o número 7 faz referência a uma sequência geracional: ele é o sétimo filho do seu pai, que era o sétimo filho do seu avô, que por sua vez era o sétimo de seu bisavô.
📌 Investigação
A influenciadora e empresária Virgínia Fonseca, mesmo investigada pela Polícia Federal depois da CPI das Bets, se mantém como fenômeno da internet, dos algoritmos ao lucro. A pedido da piauí, a Palver – empresa especializada em monitoramento e análise de redes sociais – examinou 100 mil grupos públicos de WhatsApp e constatou que Virginia ultrapassa alguns líderes da extrema direita que dominam as conversas no mundo digital. Quando ela se separou de Vini Jr., por exemplo, seu nome foi buscado 170% de vezes a mais no Google no Brasil do que o de Flávio Bolsonaro. As postagens de Virginia, mesmo quando tratam de assuntos banais, raramente têm menos do que 2 milhões de curtidas. Dentre as que mais repercutem, estão aquelas que mostram aspectos de sua vida pessoal e as compras de itens de luxo. “Os números dela são expressivos e se comparam a grandes nomes do futebol e do entretenimento”, diz Luis Fakhouri, diretor de estratégias da Palver.
🍂 Meio ambiente
Mais de 200 famílias que vivem na Ocupação Landy, às margens do rio Tocantins, no sudeste do Pará, podem ser despejadas. O território está em disputa há mais de 20 anos, e desde 2007, as famílias esperam por um documento que reconheça o direito de permanecerem. O conflito se dá entre os trabalhadores rurais que plantam, criam animais e vendem alimentos para as feiras em Marabá (PA) e uma família de fazendeiros que reivindica na Justiça a propriedade da Fazenda Landy. A Repórter Brasil lembra que, em setembro do ano passado, a Vara Agrária de Marabá expediu um mandado de reintegração de posse da área a favor dos fazendeiros, mas o Ministério Público questiona a autenticidade dos documentos apresentados pelos supostos donos e investiga se a terra pertence ao patrimônio público do estado. “Só orar e pedir a Deus realizar o nosso sonho dessa terra para nós trabalhar”, diz Irmã Ana, 62 anos, uma das moradoras da ocupação.
📙 Cultura
Mais de 30 crianças e adolescentes negros estão retratados na obra “Fanfarra”, uma pintura de nove metros de comprimento e 1,36 metros de altura que abre a exposição “Dupla Cura”, de Dalton Paula, no Inhotim, em Brumadinho (MG). A tela mostra uma banda tocando instrumentos, como caixas, bumbos, pratos, xequerês e trompetes. São integrantes do Sertão Negro, um quilombo-escola cofundado pelo próprio artista em Goiânia. “A arte transforma o mundo e faz com que pessoas que nunca seriam vistas pela sociedade, sejam vistas e lembradas. Porque a vida é isso: ser lembrado por alguém”, diz o adolescente Lucas Emanuel, 15 anos, participante do projeto. O Nonada narra a exposição, que reúne cem obras de Dalton, prestes a completar três décadas de carreira, com protagonismo das infâncias negras. Entre os trabalhos, estão aqueles que ainda não haviam sido vistos pelo público, do início da trajetória do artista, com ênfase na própria presença espiritual das entidades afro-religiosas ligadas às crianças, como os Ibejis e os santos Cosme e Damião.
🎧 Podcast
“O primeiro objetivo de revitalização do Cine Vitória é ter um cinema de rua efetivo, com diversidade em sua programação, privilegiando não só filmes brasileiros, mas também a diversidade da cinematografia mundial”, afirma a gestora cultural Rosângela Rocha, coordenadora do Cine Walmir Almeida e ex-diretora do Cine Vitória, ambos em Aracaju (SE). Ela participou do projeto de reforma deste último, atualmente fechado para a execução das obras. O “Mariscada”, produção da Mangue, recebe Rocha para conversar sobre o papel histórico do cinema de rua na formação do público e na democratização do acesso a produções fora do circuito comercial. Ela reflete sobre a importância desses espaços para a preservação da memória audiovisual sergipana e a necessidade de políticas públicas que sustentem esses equipamentos culturais.
📲 Tecnologia
A Copa deste ano é movida pelo uso recorde de dados e de IA na história do esporte. Há três camadas principais nas cadeias de valor de dados do futebol que sustentam como os jogos são vistos e gerenciados hoje. São os gráficos na transmissão, o número de probabilidade de vitória na tela, as decisões sobre tempo de jogo e táticas, o jogador que um clube acabou de contratar com base em dados. Em artigo no Outras Palavras, o pesquisador Rafael Grohmann mostra que por trás do “big data” estão trabalhadores invisíveis e mal pagos. “Eles assistem aos jogos e transformam cada passe, desarme e finalização em dados estruturados, correndo contra a transmissão enquanto fazem isso”, explica. “A cadeia de valor de dados no futebol também tem uma geografia. O trabalho de análise de dados de alto valor se concentra em um punhado de centros ricos, enquanto a anotação de dados se concentra em cidades no Leste Europeu, na África, no Sul da Ásia e no Sudeste Asiático.”




