🔸 Dias depois da escalada da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) provocada pelo caso Banco Master, os chefes dos Três Poderes acompanharam juntos o desfile de 7 de Setembro, em Brasília. Lula (PT) participou da cerimônia ao lado dos presidentes do STF, Edson Fachin, do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O Jota lembra que a presença simultânea dos chefes dos Poderes marcou uma diferença em relação ao 7 de Setembro de 2025. No ano passado, nenhum ministro do Supremo compareceu à cerimônia. Agora, Fachin esteve no evento em meio às suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro e aos questionamentos sobre a atuação de André Mendonça. Também estavam presentes o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, outros dois personagens da crise. A soberania nacional foi o principal mote político da cerimônia, a menos de um mês do primeiro turno.
🔸 Já Flávio Bolsonaro (PL) usou o ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, em São Paulo, para atacar Alexandre de Moraes e defender André Mendonça. Segundo o Metrópoles, o candidato à Presidência afirmou que “temos que proteger o STF de Alexandre de Moraes” e chamou o ministro de “laranja podre”, dizendo que ele não pode “contaminar toda a Corte”. Flávio também prometeu indicar ao Supremo nomes “contra o aborto” e “contra as drogas”, que, segundo ele, ajudariam a “resgatar a credibilidade” do Supremo. O ato teve como motes “Fora, Lula, Fora, Moraes” e “É agora ou nunca” e foi tratado pela campanha como um teste da força atual do bolsonarismo, em meio à repercussão das mensagens trocadas entre Flávio e Daniel Vorcaro, do Banco Master. A manifestação também teve homenagens a André Mendonça, incluindo um boneco inflável do ministro.
🔸 “O Judiciário brasileiro vem padecendo do problema de um certo isolamento em relação a que tipos de práticas éticas seriam relevantes para consolidar uma posição institucional legítima perante a sociedade”, afirma Emílio Meyer, professor de direito constitucional da UFMG. O Nexo conversa com ele e com Conrado Hübner Mendes, professor de direito constitucional da USP, para avaliar os motivos que levaram à escalada de instabilidades no Supremo. Meyer critica tanto Alexandre de Moraes, pelas questões éticas envolvendo o contrato do Banco Master com o escritório de sua esposa, quanto André Mendonça, que retirou o sigilo de uma investigação de grande impacto político às vésperas da eleição. Para Mendes, os ministros estão “menosprezando as constantes e já antigas críticas da sociedade”. “A proposta de um código de conduta não é um remédio, nem panaceia, mas continua a ser, mesmo assim, um passo importante, uma espécie de explicação à sociedade”, afirma.
🔸 Para entender: o estopim da crise no STF foi a decisão de André Mendonça de retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que expôs supostos vínculos entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, além de citar o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues. A divulgação desencadeou novos vazamentos e pedidos de investigação. O Aos Fatos detalha a situação atual de oito personagens que foram arrastados para a crise do caso Master nesta semana: Moraes, Gonet, Rodrigues, Mendonça, Flávio Bolsonaro, Fábio Faria, Nikolas Ferreira e Gilberto Kassab.
📮 Outras histórias
Mesmo localizada na maior bacia hidrográfica do mundo, Manaus corre risco real de escassez de água no médio prazo. A maior parte do município foi classificada como “classe crítica” para 2040 em projeções da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Nessa categoria, há alta probabilidade de a oferta de água se tornar insuficiente para atender à demanda, explica o Vocativo. O cenário combina secas mais intensas, crescimento do consumo e pressão sobre as reservas subterrâneas. Até 2040, as retiradas totais de água devem crescer 7%, puxadas por uma alta de 43% na demanda industrial e de 23% no abastecimento humano. Hoje, cerca de 84% da água usada em Manaus vem do Rio Negro e 16% de fontes subterrâneas. A seca de 2024, quando o rio atingiu o menor nível em mais de 120 anos, mostrou a vulnerabilidade desse sistema.
📌 Investigação
Mesmo proibida de ofertar e divulgar seus serviços no Brasil desde 24 de abril, a Polymarket continua promovendo conteúdos sobre as eleições brasileiras nas redes sociais. A plataforma é um mercado de previsão baseado em criptomoedas, no qual usuários apostam sobre resultados de eventos futuros, de eleições a guerras. Levantamento do Núcleo identificou 103 publicações sobre o pleito brasileiro até 24 de agosto, parte delas feita em colaboração ou com marcação de páginas de fofoca, memes, esportes e influenciadores. Em uma delas, sobre as chances de Flávio Bolsonaro vencer a eleição, por exemplo, a empresa combinou conteúdos da imprensa, memes e gráficos próprios de previsão. A divulgação também passa por perfis e sites com conexões políticas e empresariais. O Not Journal, página que mais aparece em colaboração com a Polymarket, é comandado por Bruno Richards de Souza Figueiredo, que se apresenta como “country manager” da empresa; o site também foi apontado pela Polícia Federal como integrante do Projeto DV, ligado a contratos para atacar o Banco Central durante a crise do Banco Master.
🍂 Meio ambiente
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou para estudo 86 novos blocos de exploração na margem equatorial amazônica, dos quais 36 são na bacia da Foz do Amazonas. A InfoAmazonia identificou que 27 deles avançam total ou parcialmente para além da Zona Econômica Exclusiva, numa área de 20,7 mil km² que passou a integrar a plataforma continental brasileira após decisão da ONU, em 2025. Esses blocos devem ser avaliados no primeiro semestre de 2027. A expansão ocorre depois de a Petrobras obter, em 2025, a primeira licença ambiental para explorar o bloco 59, onde confirmou a descoberta de petróleo em agosto deste ano. A estatal prevê investir US$ 2,5 bilhões na margem equatorial entre 2026 e 2030. “A descoberta não pode ser usada como um bilhete premiado para justificar a expansão da exploração de petróleo na região. Encontrar petróleo não elimina os riscos ambientais e climáticos, nem responde à necessidade de o Brasil reduzir sua dependência dos combustíveis fósseis”, afirma Juliano Bueno, presidente do Instituto Arayara.
📙 Cultura
Muito além de um gênero musical, o hip-hop se consolidou como um movimento cultural das juventudes periféricas, marcado pela denúncia do racismo e das desigualdades sociais. Em São Paulo, ganhou força a partir de nomes como Nelson Triunfo, pioneiro das rodas de dança na região central, e depois se espalhou pelas periferias por meio do rap, do break, do grafite e das batalhas de MCs, com artistas como Racionais MC’s e Sabotage. A Agência Mural mapeou espaços da Grande São Paulo que mantêm essa cultura viva, reunindo locais onde o público pode acompanhar batalhas, dançar, ouvir DJs e participar de atividades ligadas ao movimento. Entre os pontos listados estão a Casa do Hip Hop de Diadema e a Batalha da Matrix, em São Bernardo do Campo.
🎧 Podcast
Um projeto de lei que previa medidas de proteção para pessoas em situação de rua durante períodos de calor extremo em Santos foi retirado de votação. O “Juicycast”, produção do Juicy Santos, explica que o texto previa a distribuição de água e protetor solar, ampliação da abordagem social e instalação de tendas ventiladas quando a temperatura ultrapassasse 35°C. A proposta passou em primeira votação por 6 votos a 5, mas foi retirada após críticas e pressão popular. O episódio também discute a resistência a políticas de assistência para essa população, lembra que iniciativas semelhantes já existem em outras cidades e questiona a ideia de que oferecer proteção básica estimularia a permanência nas ruas.
🧑🏽🏫 Educação
“A gente recebe o chamado material digital, que são slides, resumos das aulas, que a gente projeta numa televisão de 43 polegadas, nem todos conseguem visualizar, porque é uma sala com 40 alunos. É muito conteúdo para pouco tempo de aula e os conteúdos são muito resumidos”, afirma Marcos Castro (nome fictício), professor de Geografia no Jardim Olinda, na zona sul de São Paulo. Para ele, “hoje a visão que se tem da educação é uma visão totalmente empresarial, desconsiderando toda a complexidade que é uma sala de aula e todas as particularidades que as escolas têm”. O Desenrola e Não Me Enrola mostra os impactos da plataformização do ensino em São Paulo, tornada obrigatória pela Secretaria da Educação em 2024. “Eu não sinto que ela aprende muito, porque, como ela mesma fala, na TV não tem como voltar o conteúdo”, diz Camila Santos, moradora de Mauá, mãe de uma aluna de 12 anos da rede estadual paulista.



